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Internacional

Rússia continua à procura das vítimas que seguiam a bordo do avião caído ao Mar Negro

ALEXANDER UTKIN

Governo declara esta segunda-feira dia de luto nacional pelos 92 passageiros e tripulantes que perderam a vida no acidente. Moscovo já excluiu possibilidade de atentado e equipas de buscas já recuperaram 11 corpos e "154 fragmentos" do aparelho aéreo

Uma enorme operação de buscas continua "sem pausas" após um avião militar russo se ter despenhado no Mar Negro com 92 pessoas a bordo no domingo. Cerca de 3500 pessoas e vários navios, caças, helicópteros e submersíveis estão envolvidos na operação ao largo de Sochi, onde o avião modelo Tu-154, que transportava soldados, membros de uma famosa banda musical do Exército e jornalistas, caiu no domingo.

Nada indica que possa haver sobreviventes e as autoridades russas já afastaram a possibilidade de o avião ter sido alvo de um ataque. Esta segunda-feira foi declarada dia de luto nacional pelos que seguiam a bordo do aparelho.

Equipas de busca, incluindo 139 mergulhadores, trabalharam durante toda a madrugada em três turnos e a operação "não parou nem um minuto", disse o porta-voz do ministro da Defesa, o major general Igor Konashenkov, numa conferência de imprensa esta manhã.

Durante a noite e desde que a operação começou, numa área inicial de buscas de 10,5 quilómetros quadrados que entretanto foi alargada, foram recuperados da água 11 corpos e 154 fragmentos do aparelho. "Fragmentos do avião Tu-154 do Ministério da Defesa russo foram encontrados a 1,5 quilómetros de distância da costa de Sochi, no Mar Negro, a uma profundidade de entre 50 e 70 metros", informou aquele ministério.

Já hoje, o ministro russo dos Transportes, Maksim Sokolov, disse que o terrorismo já foi descartado como possível causa do incidente. Os investigadores, acrescentou, estão a analisar as possibilidades de erro do piloto ou falha técnica, mas ainda é cedo para especular sobre o que levou o avião a despenhar-se. As condições de voo à data do incidente eram favoráveis.

O Tu-154 estava ao serviço do Exército russo desde 1983 e tinha voado pela última vez em setembro. A última grande ronda de reparações ao aparelho foi feita em dezembro de 2014. O avião desapareceu dos radares dois minutos depois de ter descolado do aeroporto Adler de Sochi pelas 5h25 da manhã de domingo (2h25 em Lisboa) com destino a Latakia na Síria.

O aparelho tinha originalmente partido de Moscovo e tinha parado em Sochi para reabastecer. A bordo seguiam 64 membros do famoso ensemble militar Alexandrov, que iam atuar para as tropas russas estacionadas na Síria na passagem de ano, para além de nove jornalistas, oito soldados, dois funcionários do Ministério da Defesa e oito tripulantes.