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Internacional

Focos de violência ameaçam a estabilidade da República Democrática do Congo

O líder da oposição congolesa, Felix Tshisekedi, à chegada às conversações com o Governo em Kinshasa

THOMAS MUKOYA / REUTERS

Não é certo que todos os confrontos e mortos recentes estejam ligados aos protestos contra a permanência no poder do Presidente Joseph Kabila, temendo-se uma escalada da violência no território

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Ao fim de uma semana de ataques em vários pontos do país, teme-se que a violência tenha vindo para ficar na República Democrática do Congo (RDC). Os confrontos - dos quais logo resultaram cerca de 40 mortos - entre manifestantes e forças de segurança do Governo começaram a despontar nas maiores cidades do país ainda antes de terminado o prazo constitucional do segundo mandato de Joseph Kabila.

Desde 19 de dezembro, o dia em que deveria ter abandonado a presidência, que um forte dispositivo policial nas grandes cidades tenta evitar os protestos da população, apoiados e instigados pelos partidos na oposição.

Porém, não é claro que todos os focos de violência estejam relacionados com a questão presidencial. Segundo um ativista local citado pelo diário “The Guardian”, uma milícia de etnia Nande matou 13 civis hutus com armas de fogo e machetes no domingo em Nyanzale, uma cidade do leste do país. O massacre serviu aparentemente para vingar a morte de cidadãos Nande na semana passada. Innocent Gasigwa disse ao jornal que 17 civis (e dois elementos da milícia) tinham sido mortos pela milícia de etnia hutu Nyatura.

Desde outubro de 2014 que centenas de pessoas têm sido mortas em raides perto de Beni, 300 quilómetros a norte de Nyanzale. No sábado, morreram 21 civis e quatro elementos da milícia, declarou um porta-voz local do exército à Reuters. Kinshasa culpa a ADF, um grupo islamita ugandês, mas analistas adiantam que há outros envolvidos, inclusivamente soldados congoleses.

O Governo revelou que Kabila permanecerá na presidência até que se organizem eleições em 2018. Pelo seu lado, os mediadores locais da igreja católica esperam que as conversações entre a coligação liderada por Kabila e o principal bloco da oposição cheguem a acordo até à próxima sexta-feira de modo a que o Presidente se retire como a constituição prevê após uma eleição no final de 2017.

A constituição da RDC foi emendada em 2010 de forma a evitar a perpetuação no poder do Presidente, situação que aconteceu com o pai de Joseph, Laurent-Desiré Kabila, que acabou por ser assassinado em 2001.

Apesar de ter permanecido desde então e até agora no posto eleito pelo voto popular, Joseph Kabila tem uma taxa de popularidade de 8% e a sondagem recente que apurou este número revela que mais de 80% dos congoleses quer que ele abandone o poder.

Desde a independência em 1960 que a RDC tem falhado fazer uma transição pacífica. Entre 1996 e 2003 morreram milhões de pessoas no país e em conflitos regionais que chegaram a envolver nove país.