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Israel ordena suspensão de contactos com Autoridade Palestiniana

Benjamin Natanyahu, primeiro-ministro de Israel

Getty Images

Em resposta à aprovação pela ONU da resolução que exige o fim imediato da colonização em territórios palestinianos, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu ordenou a suspensão do financiamento israelita a quatro organismos da ONU e anunciou que vai mandar chamar os embaixadores de todos os países que votaram a favor da resolução, além de ter cancelado visitas diplomáticas

O ministro da Defesa israelita ordenou este domingo a suspensão dos contactos de caráter “civil e político” com a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) devido à resolução aprovada na sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU contra os colonatos judeus.

A ordem foi dada pelo ministro Avigdor Lieberman ao organismo do Exército que coordena as relações com a ANP e não afeta por agora a cooperação em matéria de segurança, informa o serviço de notícias Ynet.

Ainda que o Ynet não tenha dado pormenores, a decisão de Lieberman tem em princípio um impacto limitado, dado que ordena a interrupção dos contactos com funcionários em assuntos civis, mas não a cooperação em si, burocratizada há anos através da chamada Administração Civil.

No plano político, os contactos de comandos do Exército israelita com os palestinianos é mais nominal que prática.

De qualquer forma, trata-se de uma nova medida israelita em resposta à resolução 2334 do Conselho de Segurança, que define como ilegais os colonatos judeus nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia e obriga “à distinção entre o território do estado de Israel e os que foram ocupados pelo país desde 1967”, e que na sexta-feira foi aprovada por 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos.

O Governo israelita classificou de “vergonhosa” a resolução e concentrou toda a indignação contra a Administração do Presidente Barack Obama, a quem acusou de “coordenar diretamente os esforços para a aprovação da resolução” e de ter quebrado o longo compromisso de “não ditar os termos da paz para Israel”.“Não temos quaisquer dúvidas de que foi a administração Obama que deu início a esta resolução e a defendeu, coordenando as diferentes versões e insistindo na sua aprovação”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, citado pelo britânico “The Guardian”.

Também em reação à aprovação da resolução, Danny Danon, embaixador de Israel junto da ONU, disse esperar que a presidência de Donald Trump e também o novo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tragam uma “nova era para a relação dos EUA com Israel. “Esperávamos que o maior aliado de Israel atuasse de acordo com os valores que partilhamos e que tivesse vetado aquela vergonhosa resolução”, disse então o embaixador.

Embora não estejam previstas quaisquer sanções, os responsáveis israelitas temem a possibilidade de os eventuais casos de incumprimento serem julgados no Tribunal Penal Internacional (TPI). Há também a preocupação de que a resolução aprovada possa vir a encorajar alguns países a impor sanções contra os colonatos e os bens produzidos em colonatos israelitas, refere o “Guardian”.

Benjamin Netanyahu, claramente descontente com a situação e querendo ripostar, ordenou suspender o financiamento israelita a quatro organismos da ONU e anunciou este domingo que vai mandar chamar os embaixadores de todos os países que votaram a favor da resolução, incluindo os que têm representação diplomática em território israelita: Rússia, China, Japão, Ucrânia, França, Reino Unido, Angola, Egito, Uruguai e Espanha.

A informação foi avançada por meios de comunicação israelitas e citada pelos media internacionais, como o “Guardian”. Os embaixadores israelitas no Senegal e Nova Zelândia, dois dos quatro países que apadrinharam o projeto de resolução, também foram chamados para consultas.

No caso do Senegal, Israel suspendeu ainda a cooperação tecnológica num projeto de regadio e cancelou uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros senegalês a Israel, prevista para meados de janeiro.

Em relação à Ucrânia, que votou a favor da resolução - segundo o ministro do Meio Ambiente israelita, Zeev Elkin, “por pressões de Washington” -, Israel cancelou a visita que o primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groysman, ia realizar nos próximos dias.