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Trump volta à carga: “Que haja uma corrida ao armamento”

Chip Somodevilla/Getty Images

“Vamos vencê-los em todas as ocasiões e vamos vencê-los a todos”, disse Donald Trump à apresentadora Mika Brzezinski, do programa Morning Joe, do canal MSNBC, depois de ter dito, na quinta-feira, que os EUA devem “fortalecer e expandir fortemente o seu arsenal nuclear até que o mundo ganhe bom senso”

Helena Bento

Jornalista

Depois de ter dito que os EUA devem “fortalecer e expandir fortemente o seu arsenal nuclear”, Donald Trump voltou à carga. Em declarações à apresentadora Mika Brzezinski, do programa Morning Joe, do canal MSNBC, que lhe telefonou para tentar obter mais esclarecimentos sobre a sua mensagem publicada no Twitter na quinta-feira, o Presidente eleito disse: “Que haja uma corrida ao armamento. Vamos vencê-los em todas as ocasiões e vamos vencê-los a todos”.

O tweet publicado por Trump há dois dias, cuja versão completa diz que os EUA devem “fortalecer e expandir fortemente o seu arsenal nuclear até que o mundo ganhe bom senso”, surgiu horas horas depois de Vladimir Putin ter apelado ao reforço do potencial nuclear militar na Rússia em 2017, garantindo que os seus mísseis são capazes de resistir a qualquer sistema de defesa antimíssil.

“Precisamos de reforçar o potencial militar das forças estratégicas nucleares, sobretudo com mísseis complexos que possam entrar em qualquer sistema de defesa antimíssil existente” ou futuro, afirmou então o Presidente russo, que não tem dúvidas, porém, de que a Rússia “é agora mais forte do qualquer potencial agressor”. De acordo com os números da Associação para o Controlo das Armas dos EUA, citados pela BBC, os EUA têm 7.100 armas nucleares e a Rússia tem 7.300.

“Temos que monitorizar cuidadosamente qualquer mudança no equilíbrio do poder e na situação político-militar no mundo, especialmente ao longo das fronteiras russas, e adaptar rapidamente planos para neutralizar ameaças ao nosso país”, acrescentou Putin.

Sobre a mensagem de Donald Trump no Twitter, o Presidente russo não manifestou grande surpresa, dizendo mesmo que “não há nada de novo aí”, uma vez que “já durante a campanha eleitoral, Trump disse que os EUA precisavam de reforçar as capacidades nucleares e as Forças Armadas”.

Putin, que falava na habitual conferência de imprensa de fim de ano, desvalorizou as ameaças de uma eventual nova corrida ao armamento entre Moscovo e Washington. Questionado sobre os assuntos a tratar no seu primeiro encontro com Donald Trump, o Presidente russo disse que ambos precisavam de “discutir formas de normalizar as suas relações. “Durante a campanha eleitoral, Trump disse que seria adequado fazer isso e eu concordo com ele”, disse, citado pela CNN.

Na mesma conferência de imprensa, Putin disse inclusive que os russos foram os únicos que acreditaram na eleição de Trump para Presidente dos Estados Unidos. “Ninguém, somente nós, os russos, acreditámos que ele poderia ser eleito Presidente”.

Alegada carta de Putin a Donald Trump

Ainda na sexta-feira, a equipa de transição de Trump disse ter recebido uma carta “muito simpática” do chefe de Estado russo dirigida ao magnata do imobiliário, apelando a Trump para “agir de forma pragmática e construtiva de modo a restaurar o quadro da cooperação bilateral”.

A carta, datada do dia 15 de dezembro, refere ainda que “os desafios regionais e globais mostram que as relações entre a Rússia e os EUA mantêm-se um importante factor para assegurar a estabilidade e segurança do mundo moderno”.