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Internacional

Resolução da ONU que “apoia palestinianos” representa “mudança positiva”

Os dois líderes encontraram-se pela última vez em outubro de 2014

Jason Reed / Reuters

Os movimentos islamitas Hamas e Jihad Islâmica congratularam-se com a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que exige o fim imediato da colonização em territórios palestinianos. Benjamin Netanyahu já informou que Israel não vai cumprir a “vergonhosa resolução da ONU”

Helena Bento

Jornalista

Os movimentos islamitas Hamas e Jihad Islâmica congratularam-se este sábado com a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que exige o fim imediato da colonização em territórios palestinianos, considerando que representa “uma mudança” na política da comunidade internacional.

“O Hamas dá as boas-vindas a esta resolução e congratula-se com as mudanças positivas na postura da comunidade internacional que apoia os direitos dos palestinianos nos organismos internacionais”, afirmou em comunicado o porta-voz do Hamas, Fauzi Barhum. O grupo apela à comunidade internacional para fazer mais pela causa palestiniana e pôr fim à ocupação israelita.

Mushir al-Masri, do movimento Jihad Islâmica, considerou, por sua vez, que esta resolução, que condena e declara ilegais os colonatos, vem reforçar a recusa do mundo à política de Israel. Colonatos são “uma flagrante violação da lei internacional e um grande obstáculo para conseguir uma solução de dois estados, assim como uma paz justa, duradoura e completa”, lê-se num comunicado divulgado pelo movimento.

Noutro comunicado divulgado pela Jihad Islâmica, Daud Shihab, porta-voz do movimento, descreve a resolução como “uma condenação clara às políticas de ocupação [israelita] e as agressões contra o povo palestiniano”.“É uma vitória palestiniana” e “um consenso dos países do mundo contra Israel e as suas políticas”, considerou.

A resolução, que foi apresentada pela Venezuela, Nova Zelândia, Malásia e Senegal e aprovada na sexta-feira por 14 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção (dos EUA, que em 2011 vetaram uma resolução parecida), exige que “Israel cesse imediatamente e completamente todas as atividades de colonização [os colonatos] no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”.

O Presidente palestiniano Mahmoud Abbas descreveu a resolução da ONU como “um duro golpe” para a política de Israel, considerando-a uma “prova do apoio da comunidade internacional à solução de dois estados”. Também Ban Ki-moon disse que a adoção da resolução contra os colonatos israelitas nos territórios palestinianos é “um passo significativo”. “O secretário-geral aproveita esta oportunidade para encorajar os líderes israelita e palestiniano a trabalharem com a comunidade internacional de modo a criar um ambiente propício ao regresso às negociações”, afirmou, em comunicado, o seu porta-voz Stephane Dujarric.

Israel não vai cumprir resolução “vergonhosa”

Israel, contudo, já informou que não vai cumprir a “vergonhosa resolução da ONU”, da qual discorda, afirmou o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, em comunicado divulgado pela imprensa internacional, e no qual acrescenta que, como o “Conselho de Segurança não faz nada para parar o massacre de meio milhão de pessoas na Síria, conspira contra a única verdadeira democracia do Médio Oriente, Israel, e qualifica o Muro das Lamentações [lugar mais sagrado do judaísmo] como um ‘território ocupado’”.

No mesmo comunicado, Benjamin Netanyahu acusa ainda o Presidente cessante dos Estados Unidos Barack Obama de se ter associado à “liga anti-Israel” na ONU. Israel “espera trabalhar com o Presidente eleito Donald Trump e todos os nossos amigos no Congresso, os republicanos e democratas, para neutralizar os efeitos negativos da presente e absurda resolução”, acrescenta o comunicado. Trump reagiu às declarações do ministro israelita e numa mensagem publicada na sua conta do Twitter escreveu: “Em relação à ONU, as coisas serão diferentes depois de 20 de janeiro”.