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Internacional

Trump consegue adiar voto da ONU de condenação aos colonatos israelitas

JACK GUEZ

Fonte oficial dos Estados Unidos disse à BBC que o país ia abster-se na votação, o que permitiria que a moção fosse aprovada, e que o Governo israelita contactou a equipa de transição do Presidente eleito para pedir que evitasse esse resultado

O Egito tomou a decisão súbita de adiar a votação de uma resolução que tinha apresentado no Conselho de Segurança da ONU para condenar a construção de colonatos israelitas na Cisjordânia, perante a forte oposição do Presidente eleito dos Estados Unidos.

À BBC, fonte da atual administração norte-americana disse que o país estava a considerar abster-se nessa votação, o que teria permitido que a moção fosse aprovada por maioria qualificada. Face a isto, o Governo hebraico contactou a equipa de transição de Donald Trump para lhe pedir a sua intervenção.

Na resolução, é exigido que Israel suspenda a construção de mais colonatos na Cisjordânia, um dos territórios palestinianos sob ocupação das forças hebraicas há várias décadas, por violarem a lei internacional. A votação estava marcada para quinta-feira, mas não chegou a acontecer, após as autoridades egípcias terem retirado a proposta da mesa, horas antes do encontro marcado.

“Os israelitas apreciam profundamente um dos grandes pilares da aliança EUA-Israel: a vontade dos EUA ao longo de muitos anos de fazerem frente à ONU e de vetarem resoluções anti-Israel”, tinha declarado Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, antes da votação. “Espero que os EUA não abandonem esta política.”

Apesar de, tradicionalmente, os norte-americanos terem sempre protegido os israelitas em votações desta natureza na ONU, havia especulações de que a administração Obama estava a planear alterar a sua estratégia a poucas semanas de o Presidente democrata abandonar o cargo, com fontes a garantirem que os EUA iam abster-se para permitir que a resolução fosse aprovada.

Horas antes do encontro em Nova Iorque, Trump pediu em comunicado que aquele organismo da ONU chumbasse o documento de condenação aos colonatos ilegais. “A paz entre os israelitas e os palestinianos só virá através de negociações diretas entre as duas partes e não através de termos impostos pelas Nações Unidas”, disse o Presidente eleito. “Isto coloca Israel numa posição negocial muito fraca e extremamente injusta para todos os israelitas.”

Depois de o Egito ter decidido adiar o voto, fonte do Governo hebraico disse à Reuters que Israel avisou a administração Obama antecipadamente de que iria pedir a Trump que recorresse do resultado da votação, caso os EUA se abstivessem, e confirmou que tinha falado diretamente com o sucessor de Obama para lhe pedir que impedisse esse cenário.

O Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, também falou ao telefone com Trump; fontes do seu gabinete dizem que os dois líderes concordaram que a nova administração norte-americana — que assume funções a 20 de janeiro e cujo embaixador para Israel é uma figura controversa que defende os colonatos e que quer mudar a representação diplomática para Jerusalém — deve ter a oportunidade de se inteirar do assunto antes da votação.