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Cuba? 
É complicado!

Regresso. Lisandra, em Alamar, bairro periférico de Havana, onde nasceu em 1991 e cresceu durante os primeiros anos do chamado “período especial”

FOTOGRAFIA JOÃO PINA

Não fizeram a revolução. Nem conheceram a glória. Cresceram durante o “período especial”, que se iniciou em 1991, com o colapso da União Soviética. A Cuba deles é a da decadência, da orfandade. A Cuba dos sentimentos contraditórios, das dúvidas, das disputas políticas dentro das próprias famílias

Cristina Margato

Cristina Margato

enviada a Cuba

Jornalista

Sempre que o camello, apertadinho de gente, chegava ao outro lado do túnel, o pai de Ricitos de Oro gritava: “Dios mio, mira, la capital, la capital!” Ricitos de Oro, ou caracolinhos de ouro, encolhia-se. Por mais pequena que se sentisse dentro daqueles camiões-autocarros criados pelo engenho cubano para servirem de transportes suburbanos, a vergonha não era capaz de a fazer desaparecer no meio daquelas dezenas de corpos milimetricamente acondicionados. “Alamar era o meu mundo”, conta Ricitos de Oro, a jovem filóloga, de cabeleira farta, que nasceu em 1991 na periferia de Havana com o nome de Lisandra.

O túnel marca a transição entre a área suburbana de Alamar, onde nos anos 70 se ergueu um enorme bairro de arquitetura soviética pelas mãos daqueles que vieram a ser os habitantes, e uma Havana desenhada pelos antigos colonos. Ainda hoje esse túnel tem a capacidade de servir de porta mágica. Divide a Cuba do postal turístico da Cuba criada à imagem dos velhos amigos soviéticos. Quando feito no sentido inverso ao que Lisandra e o pai faziam, o estreito canal rodoviário permite-nos recuar na História. Revisitar um dos locais onde a revolução cubana edificou parte dos seus sonhos. A Lisandra, porém, nunca lhe calhou uma pequena parte desse esplendor revolucionário que Alamar também conheceu. Ao enorme bairro, tal como a Cuba, a filóloga só lhe conheceu o declínio. Sobrou-lhe a triste experiência de ver desmoronar os sonhos ‘fidelistas’, de que os avós e os pais fizeram parte.

A partir de 1991, sem apoio soviético e sob o jugo do bloqueio norte-americano, Cuba mergulhou num período obscuro e traumático. Em Alamar, como no resto da ilha, iniciava-se um longo declínio, que ainda hoje o país tenta compensar. Os escassos 17 quilómetros que separam o bairro da capital foram aumentando à conta da crise e das restrições de combustível. Não é de admirar que, a Lisandra, Havana, onde hoje vive e trabalha, lhe parecesse um país estrangeiro. Nem que fossem tão poucas as vezes que ela e os pais se pudessem deslocar. Na infância dela e dos seus vizinhos não existiu sequer uma bicicleta para aprender a pedalar.

Os pais, nascidos no final dos anos 60, conheceram-se numa companhia artística que levava as artes às aldeias e às montanhas. Por falta de alternativa, o casal foi viver para casa do avô paterno de Lisandra, em Alamar. O ano de 1991 não marcava apenas o nascimento da filha e o início de uma vida conjugal.

Subjugado pelo embargo norte-americano, remetido à orfandade soviética, Fidel dava início ao que se passou a chamar “período especial”. Os discursos do líder cubano eram cada vez mais longos, sem que o seu comprimento pudesse sanar a fome dos cubanos, distribuir combustível ou até calar uma inócua crítica popular. Nas longas noites, cada vez mais frequentes, provocadas pelos cortes de eletricidade, o povo de Alamar até se podia esquecer de que haveria sempre alguém do Comité de Defesa da Revolução (CDR) capaz de denunciar quem pusesse em causa o regime. Ricitos de Oro, como era conhecida naquele aglomerado de blocos prefabricados, por ser a mais clara de todas as crianças, recorda os apagões: “Era um momento de convívio entre vizinhos, e havia sempre quem dissesse mal de Fidel.”

Das promessas de uma Cuba “mágica” que foram feitas aos avós e aos pais de Lisandra restavam apenas ruínas e a dificuldade em lidar com a desilusão. “Os meus pais cresceram com a promessa de terem tudo e não tiveram nada.” E, da infância em Alamar, não há como esquecer a fome. Não a de Lisandra: “Porque os meus pais guardavam para mim o melhor que conseguiam.” Se olhar para o passado, verá a mãe, poetisa e escritora, a fazer vinho de arroz para vender e a trabalhar na loja de recuerdos sem poder denunciar os colegas que enganavam os turistas; o pai, locutor de rádio, ex-bibliotecário, despedido por ter emprestado um livro proibido, a arranjar frigoríficos; os pais a dependerem em quase tudo do avô, o único que, por trabalhar numa empresa espanhola, ganhava em divisas, o que dava à família uma considerável vantagem; e ainda uma avó materna, cega e surda a toda a crítica que se dirigisse ao regime castrista (até à morte, há pouco mais de um ano). E foi a proximidade de Lisandra com a avó materna que lhe tirou qualquer imunidade ao charme ‘fidelista’: “A revolução foi o acontecimento mais importante na vida da minha avó. Adorava Fidel.” Um dia, porém, entrou-lhes em casa uma mulher, uma representante do Comité de Defesa da Revolução, pronta a acusar o pai por falar contra o regime. Ao pai de Lisandra valeu-lhe a sogra ‘fidelista’, figura importante no seio do Partido Comunista, que, apesar das frequentes discussões com o genro, não hesitou em defendê-lo. Mesmo que Lisandra em momento algum tenha deixado de amar a avó materna, também ela, um dia, deixou que a fé em Fidel começasse a enfraquecer: “Há um momento da minha vida em que deixei de ter vontade de gritar: ‘Hasta la victoria siempre!’ Deixei de sentir vontade de dizer: ‘Viva Fidel! Viva Raúl!’ Nada soava real. Era como um grito no vazio. Acredito na glória dos primeiros anos da revolução. Depois, entrou-se na decadência e na corrupção, e todos se acostumaram ao facto de o sistema não funcionar. Não creio que tenhamos conseguido cumprir o que queríamos.”

Até há pouco tempo, tirando as divergências políticas da família ou as agruras do internato que fez para poder concorrer à universidade, foi o fracasso dos pais que mais preocupação lhe causou: “Não sofri por mim. Sofri por eles.”

Jesus, o canalizador

Na noite anterior, Jesus foi ver passar as cinzas de Fidel a caminho do Cemitério de Santa Ifigénia, em Santiago de Cuba. “Reunimo-nos aqui entre vizinhos e decidimos ir juntos a um dos cantos da praça.” Pela manhã, um homem que passa na rua saúda-o: “Bom dia, comandante!” Não descansa enquanto Jesus não lhe devolve um sorriso. “Este homem tem-me em boa conta! Na semana passada fui a casa dele ajudá-lo a arranjar uns canos!”, comenta. O velho segue curvado, mas de olhos postos em Jesus.

Aos 30 anos, Jesus é um bom exemplo dos novos empresários que as leis de Raúl Castro vieram permitir e legalizar, logo depois de substituir Fidel no poder. Um respeitado pai de família, um marido que sustenta a mulher para que ela possa acabar a especialização em pediatria. “Tenho muitos amigos assim!” Não há como duvidar de Jesus. Num país onde é difícil encontrar uma torneira que funcione, um cano que sirva para transportar água, é normal que Jesus canalizador seja visto como um deus. Nem sempre foi assim, porém. Jesus tinha apenas 5 anos quando o “período especial” começou e a fome se instalou em todo o país: “Nem quero falar nisso”, responde de olhos postos no chão. “São coisas que uma pessoa nunca esquece. As pessoas dividiam o que tinham. E era tão pouco.”

Na altura, vivia com a família no campo, fora da cidade de Bayamo, onde agora habita. Aos 16 anos foi trabalhar. Ao balcão de uma loja de peças e ferramentas, reparou que, por desleixo ou distração dos clientes, por lá iam ficando alguns projetos de canalização. Num assomo de autodidata, começou então a estudá-los e transformou-se em canalizador. Com o dinheiro ganho a arranjar os canos, alargou a casa, para poder receber turistas. “Em Cuba, os que trabalham não ganham dinheiro suficiente que lhes dê para viver. Eu não pude continuar a estudar para ser estomatologista ou engenheiro como queria ser. No teu país vives do teu esforço, do teu salário, e em princípio consegues pagar as tuas contas. Aqui, quando és médico ou professor, ganhas 20 dólares por mês, o que não dá para viver. A minha mulher é médica, e se não fosse por mim, que a tenho ajudado ao longo destes anos, não teria conseguido estudar. Pago-lhe tudo, a comida, a roupa, o computador, a impressora. Cada médico tem uma história de sacrifício por trás, que não é só dele mas da família que o apoia.”

A única vantagem de ser médico, diz Jesus, é fazer uma missão internacional. “É o presente final, quando consegues fazer uma missão. As pessoas já te veem de modo diferente, porque cumpriste com a revolução, ajudaste os outros, foste solidário.” Mas esse é o sonho que ele tem para a mulher. A Jesus basta-lhe ficar onde está. “Raúl fez mudanças importantes ao permitir a compra de casa, de carro, ao criar um sindicato para os trabalhadores por conta própria, ao permitir que diferentes formas de trabalho, que antes eram ilegais, passassem a pagar impostos. É muito diferente do ‘período especial’, em que não podíamos fazer nada disso.” Jesus está, por isso, confiante no futuro e nos dirigentes que tem. Em nada inveja o irmão que fugiu para os Estados Unidos através do Equador: “Vou até ao parque e converso com ele pela internet sempre que quero.” O irmão teve o azar de ter adormecido e ter tido um acidente. Tudo o que ganha é para abater aos cinco mil dólares que ficou a dever pelos serviços médicos de socorro. Jesus não duvida: “Tenho a minha família unida. E ele está sozinho. A filha e a mulher ficaram aqui. Então, eu estou melhor do que ele!”

A neta do herói

Patrícia ainda pensou em ir colocar flores junto ao jazigo do avô. Mas não quis que a vissem. Decidiu, por isso, esperar que as cerimónias dedicadas a Fidel terminassem para o poder fazer com alguma tranquilidade. O avô, Reinaldo Boris Luis Santa Coloma, foi um herói do regime. Um dos sobreviventes ao assalto ao Quartel Moncada, realizado a 26 de julho de 1953, na tentativa de derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista. Fidel acabou preso, proferindo mais tarde, em tribunal, a célebre frase: “A História me absolverá!” Santa Coloma sobreviveria ao assalto, cuja data ainda hoje assinala o início do movimento que deu origem à revolução. Mas morreria logo depois, ao sair em socorro de Haydee Santamaría, uma das suas três namoradas. Haydee encontrava-se com o irmão, Abel Santamaría, no Hospital Saturnino Lora. O filho de Santa Coloma, pai de Patrícia, nascido da relação com a fotógrafa Nereida Rodrigues, nunca se lembraria do pai, tendo em conta que tinha apenas 15 dias quando Reinaldo Boris Luis Santa Coloma (que o viu uma única vez) morreu. Santa Coloma foi torturado pelos esbirros de Batista, e os testículos dele, tal com os olhos de Abel Santamaría, foram enviados a Haydee.

Filho de uma vítima do regime, o pai de Patrícia não foi apenas um protegido. Foi um dirigente próximo de Fidel. A vida privilegiada que Patrícia teve desde que nasceu, há 35 anos, só não acabou em 1991 porque a mãe era (e ainda é) funcionária diplomática fiel ao regime. Em agosto, quando a União Soviética colapsou, o pai de Patrícia decidiu passar-se para o outro lado e nunca mais regressou. Vive na Alemanha, onde é jornalista. A partir desse momento, e para a história de Cuba, o grande herói Reinaldo Boris Luis Santa Coloma deixou de ter um filho e ela deixou de ser a sua neta.

Ao contrário de muitos cubanos que nunca puderam conhecer outros países, Patrícia já foi a Itália, Alemanha, Espanha, Argentina e Panamá. É professora de cinema na universidade e uma das novas empresárias que a legislação de Raúl Castro possibilitou. Fundou uma produtora de cinema em Havana, que para sobreviver faz filmes de casamentos. O sonho dela, porém, é fazer um documentário que reponha a história do avô; e outro que possa contar a história do governador da província de Santiago de Cuba, Lázaro Esposito.

Sendo neta de um herói por parte do pai, que a meio do caminho se decidiu exilar, e filha de uma funcionária diplomática até hoje fiel ao castrismo, as grandes dificuldades de Patrícia têm passado por gerir as relações familiares: “Não é preciso ser dissidente para se dizer o que se pensa. Basta ser culto. No meu caso, porém, tenho de ter cuidado. É complicado! Não gosto de discutir nem com o meu pai nem com a minha mãe. O meu pai, por exemplo, não aceita que eu fale das coisas boas em Cuba. Se falo a favor de Cuba, tenho o meu pai a dizer horrores, como agora mesmo, porque pensa que vim chorar a Santiago a morte de Fidel. A minha mãe, por sua vez, se me ouve criticar o país, responde imediatamente: ‘Se não gostas... tens remédio, vai-te embora!’” Patrícia, que já decidiu viver em Cuba, ao contrário da irmã, que passa a maior parte do tempo fora, diz que não é justo nem honesto comparar Cuba com a Europa. Prefere fazê-lo com os restantes países da América Latina, como a Argentina, onde chegou a viver três anos. Cuba, insiste, tem muito de positivo: “É um país que sempre viveu em crise e tem sabido unir-se perante as dificuldades.” O povo cubano, continua, “é solidário, extrovertido, generoso e estava preparado mesmo antes da revolução”. O futuro de Cuba, para Patrícia, passa agora por Raúl, ou por Esposito, quando Raúl já não puder. Incomoda-lhe o discurso único impingido ao longo dos nove dias de luto, mas acha que o povo cubano já lhe deu a volta. A prova, diz, acabou de a ter na rua: “Um homem meteu-se comigo. Disse-me: ‘Então não me falas? Não me conheces?’ Respondi: ‘Eu? Quem és?’ ‘Eu sou Fidel’, respondeu o homem a rir-se.” A frase escolhida pelo regime, “pronta a usar” nas ruas pelo povo para demonstrar respeito pelo líder falecido, a umas horas de ir a enterrar, já se tornara uma anedota.

Regresso a Alamar

Há muito que Lisandra não voltava a Alamar. O bairro fica para trás, quando Lisandra escolhe uma escola no campo, para assim poder aceder à universidade. A família muda-se, na altura, para Havana, onde ela regressa aos fins de semana. Na escola interna, Lisandra alterna os estudos com o trabalho agrícola, que lhe ocupa todas as manhãs. E na escola de campo tem a sua primeira relação... com um professor, dez anos mais velho do que ela: “Era normal e nem posso dizer que era abuso. Mas a verdade é que eu não sabia nada de nada. Tinha apenas 16 anos.” Mais tarde, Lisandra percebeu que havia demasiadas coincidências entre o que por lá viveu e o que leu no primeiro romance de Vargas Llosa, “A Cidade e os Cães”, retrato violento de uma academia militar. Em 2009, nos exatos 50 anos da revolução, entra finalmente na universidade, de onde sai para cumprir os três anos que cada cubano é obrigado a dar ao Estado depois de terminar um curso superior. Trabalha como editora. O salário que ganha (15 euros), como acontece com qualquer cubano, nunca chegará para viver. Há dois meses teve um convite de uma empresa norte-americana para participar numa reunião nos Estados Unidos da América. Perguntaram-lhe se era casada ou tinha filhos. Não sendo, negaram-lhe a autorização.

Nada faz com que alinhe com o discurso da oposição ou da dissidência. “Há muitas coisas de que não gosto dos dois lados.” Nos últimos tempos, sempre que Lisandra atravessou o famoso túnel que liga a capital a Alamar foi para tomar um banho nas chamadas praias de Havana Leste. Não foram precisos, porém, mais de dois minutos junto ao prédio onde cresceu para cair nos braços de velhos amigos. A menina loira, de cabelos encaracolados, continua a destoar. No meio de uma população negra e mestiça, Lisandra deixa de ser Lisandra para ser Ricitos de Oro.

“Nunca te esqueças de ser bonita!”, ordena-lhe na despedida uma das velhas vizinhas, Orbelinda, fundadora do bairro, como também foram os seus avós paternos, um contabilista e uma artista plástica que ali chegaram no final nos anos 70, com uma história parecida à de Orbelinda e do marido. No apartamento de Orbelinda, que começou a ser construído pelas suas próprias mãos em 1974, vivem ela, o marido, os filhos e os netos. Hoje, aos 82 anos, com um marido inválido de 88 anos, Orbelinda já não se queixa de viverem “apertadinhos”. Ao fim do dia, quando os filhos e os netos regressam do trabalho e das escolas, pode sempre contar com a ajuda deles. No centro da sala, alguém afixou atabalhoadamente uma fotografia de Fidel. A neta, Majela, olha-a e, num tom brincalhão, acrescenta: “Fidel deixou-me viúva!” Ainda assim o sentimento de pesar pela morte do líder é sincero nos olhos de Orbelinda: “Nem sei bem porque me senti tão mal com a morte de Fidel. Afinal, estamos todos velhos. Ele tinha 90 anos.” Majela continua: “As pessoas estão tristes. Parece um sentimento espontâneo.” O futuro não as assusta: “Raúl é mais direto. Com Raúl não vai haver nenhum tipo de problema.”

Quando peço a Lisandra, que tal como Jesus e Patrícia quer lutar para continuar a viver em Cuba, para interpretar o que vimos ao longo dos nove dias de luto de Fidel, responde: “É complicado! Muitas vezes, as pessoas veem o lado humano de Fidel. Não veem o tirano. Como cubana, tenho dificuldade em reconhecer que vivo numa ditadura. Se me perguntam se somos livres? Não, não somos. Há pessoas que estão a sofrer de verdade com a morte de Fidel e há outras que estão aí porque são obrigadas. Se a minha avó estivesse viva, estaria a chorar. E se o regime não tivesse planeado tudo, o sentimento era mais real. Comecei por pensar que o funeral era uma despedida. Um adeus respeitoso. Mas quando comecei a ver as pessoas a serem transportadas em guaguas [autocarros] para as bermas da estrada percebi que esta não seria a última vez... Há pessoas que levam tantos anos a ouvir o mesmo que se habituaram a repetir, outras têm medo das represálias. Como cubanos, estamos acostumados a seguir outros. E isso não é um futuro. Não é um futuro prometedor para Cuba.”

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 17 de dezembro de 2016