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Internacional

Trump dá pasta do Comércio a economista crítico da China

Peter Navarro, que foi conselheiro de campanha do Presidente eleito, é o homem escolhido para liderar o novo gabinete da Casa Branca para as trocas comerciais

A nomeação de Peter Navarro para liderar um novo gabinete de trocas comerciais e indústria que Donald J. Trump vai criar na Casa Branca, o Conselho Nacional de Comércio, não é uma surpresa.

Em agosto, a Bloomberg já tinha publicado um artigo intitulado "Eis o economista cujas ideias guiam Trump", onde discorria em alguma profundidade sobre o professor de Economia e sobre o seu longo rol de críticas às políticas comerciais da China e do México, dois grandes parceiros dos norte-americanos que foram alvos de ataques pelo Presidente eleito durante a campanha eleitoral e já depois de ter vencido as presidenciais em novembro.

Entre os livros escritos por Navarro conta-se o bestseller "Death by China", onde o economista apresenta a sua visão crítica das políticas comerciais do gigante asiático, um livro que foi adaptado a um documentário narrado por Martin Sheen, que pode ser visto no YouTube. No preâmbulo do filme, que dá a Navarro os créditos de realização e escrita, é pedido aos espectadores: "Ajudem a defender a América e a proteger a vossa família — não comprem Made in China."

O filme debruça-se sobre a perda sustentável de postos de trabalho na indústria norte-americana ligando esse facto ao crescimento económico da China e ao impacto da indústria chinesa nos EUA. Muitos economistas têm alertado contra a postura agressiva de Navarro e Trump face ao país, dizendo que pode conduzir a uma guerra comercial com repercussões para os dois lados da barricada.

Em comunicado, a equipa de transição de Trump diz que a nomeação de Navarro "demonstra a determinação do Presidente eleito em tornar a indústria americana grande outra vez". A visão de Navarro alinha-se na perfeição com a de Trump, que durante a campanha chegou a declarar que o aquecimento global cientificamente comprovado é um "embuste" criado pela China para roubar postos de trabalho aos EUA e que, há duas semanas, recorreu ao Twitter para acusar o país de manipular a sua divisa para esmagar a competitividade americana.

Essa publicação surgiu dias depois de o Presidente eleito ter enfurecido as autoridades chinesas ao falar ao telefone com a líder de Taiwan, o que representou uma quebra do protocolo sino-americano de várias décadas sob o qual os EUA se comprometem com a política de "uma só China" e não mantêm relações diplomáticas com os taiwaneses.

Num artigo recente assinado por Navarro no "San Francisco Chronicle", o professor da Universidade da Califórnia explicou que conheceu Trump após publicar o seu primeiro livro, "The Coming China Wars", e que decidiu aceitar o cargo de conselheiro político da campanha do republicano após uma longa troca de correspondência.

"Para Trump", escreveu Navarro, "embora o comércio livre seja bom também tem de ser justo, caso contrário vamos continuar a ter aquilo que temos tido — uma erosão massiva da base industrial dos EUA, salários estagnados nos últimos 15 anos e mais de 20 milhões de americanos que não conseguem encontrar um bom trabalho por um salário decente."