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Trump: “EUA devem expandir o seu arsenal nuclear até que o mundo ganhe bom senso”

Drew Angerer/GETTY

Declaração de Trump no Twitter surge horas depois de o presidente russo Vladimir Putin ter apelado ao reforço do potencial nuclear militar na Rússia e garantido que os seus mísseis são capazes de resistir a qualquer sistema de defesa antimíssil

Helena Bento

Jornalista

Donald Trump considera que os Estado Unidos devem “fortalecer e expandir” o seu arsenal nuclear. Numa mensagem publicada na sua conta do Twitter, o Presidente eleito, que tomará posse em janeiro do próximo ano, escreveu que os EUA devem “fortalecer e expandir fortemente o seu arsenal nuclear até que o mundo ganhe bom senso”.

De acordo com os números da Associação para o Controlo das Armas dos EUA, citados pela BBC, os EUA têm 7.100 armas nucleares e a Rússia tem 7.300. Durante a campanha eleitoral para as eleições presidenciais, Trump disse numa entrevista à Fox News que o Japão e a Coreia do Sul devem desenvolver as suas próprias armas nucleares para se protegerem das ameaças da Coreia do Norte, em vez de dependerem dos EUA para isso. Dias depois, durante um comício no estado do Wisconsin, Trump reforçou a mesma ideia e disse que um eventual conflito nuclear entre os dois países seria “terrível”, mas “bastante rápido”, pelo que desenvolverem, cada um, o seu próprio arsenal, seria a melhor hipótese.

Na altura, as declarações de Trump geraram um grande mal-estar na Casa Branca. O porta-voz Josh Earnest condenou as suas palavras e disse que a perspetiva de o Japão e Coreia do Sul obterem armas nucleares seria “incrivelmente desestabilizadora”. “A sugestão do senhor Trump de que, de alguma forma, deveríamos encorajar os nossos aliados na Coreia do Sul a desenvolver armas nucleares é diretamente contrária à política de que os Estados Unidos há muito ambicionam e que a comunidade internacional sempre apoiou”, afirmou o porta-voz em comunicado.

A comunicação de Trump no Twitter surge horas depois de o presidente russo Vladimir Putin ter apelado ao reforço do potencial nuclear militar na Rússia, garantindo que os seus mísseis são capazes de resistir a qualquer sistema de defesa antimíssil. “Precisamos de reforçar o potencial militar das forças estratégicas nucleares, sobretudo com mísseis complexos que possam entrar em qualquer sistema de defesa antimíssil existente” ou futuro, afirmou Putin, no habitual encontro de fim de ano no Ministério da Defesa russo, citado por agências noticiosas do país. “Temos que monitorizar cuidadosamente qualquer mudança no equilíbrio do poder e na situação político-militar no mundo, especialmente ao longo das fronteiras russas, e adaptar rapidamente planos para neutralizar ameaças ao nosso país”, acrescentou o Presidente russo, que não tem dúvidas de que a Rússia “é agora mais forte do qualquer potencial agressor”.

Putin lembrou ainda que as forças militares russas demonstraram, com êxito, as suas capacidades na Síria. “O Exército sírio recebeu um apoio considerável, graças ao qual conseguiu concretizar várias operações bem-sucedidas contra militantes”, disse. Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo, afirmou que as forças armadas “testaram 162 tipos de armamento moderno durante a campanha militar na Síria”, incluindo caças Sukhoi e helicópteros MiG e Kamov - equipamentos que, na sua opinião, “revelaram-se altamente eficazes”.