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Suspeito tunisino é “com alta probabilidade” o autor do ataque em Berlim

Michael Kappeler / EPA

Pai de Anis Amri contou que o filho esteve quatro anos numa prisão em Itália, onde conviveu com grupos extremistas

O ministro alemão do Interior informou esta tarde que o tunisino Anis Amri é, “com alta probabilidade”, o autor do atentado de Berlim, à luz das provas adicionais recolhidas no camião com que realizou o ataque. Thomas de Maizière fez esta declaração numa conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã Angela Merkel, que expressou a sua esperança na “rápida detenção” do suspeito.

“Podemos dizer-vos hoje que há provas adicionais de que este suspeito é com alta probabilidade o autor” do atentado, disse Maizière, que falava no final de uma visita às instalações em Berlim do Departamento Federal de Investigação Criminal (BKA). “Foram encontradas impressões digitais na cabina e há outras indicações adicionais que sugerem isto”, disse ainda. “É crucial que a caça ao homem seja concluída tão depressa quanto possível”, acrescentou o ministro.

Na quarta-feira, o pai de Anis Amri disse ao “The Times” que o filho deixou a Tunísia em 2011, depois de o antigo Presidente Zine Abidine Ben Ali ter sido deposto, e que se instalou em Itália, onde foi acusado de crimes como roubo e fogo posto. “Ele passou quatro anos numa prisão em Itália, onde conviveu com grupos extremistas”, disse o pai, acrescentando que Amri costumava consumir álcool e drogas na adolescência. Quando, no ano passado, viajou para a Alemanha, “apresentou-se falsamente como um cidadão sírio”, contou ainda.

Abdelkader, um dos seus irmãos, confirmou que Anis partiu para Lampedusa em 2011, depois de ter sido condenado por roubo na Tunísia, e também por razões económicas. Disse ainda ter ficado “em choque” quando percebeu, através de fotografias, que Anis tinha sido dado como suspeito do atentado. “Se se confirmar que ele foi, de facto, o autor do ataque, então merecerá todas as condenações. Nós rejeitamos o terrorismo e os terroristas - não queremos ter nada a ver com isso”, afirmou Abdelkader. “Ele era uma pessoa normal quando saiu da Tunísia. Bebia álcool e nem sequer rezava”, disse outro irmão do suspeito.

Durante a conferência de imprensa, Angela Merkel garantiu que, nos últimos anos, a Alemanha realizou “esforços notáveis” para enfrentar o “desafio terrorista” e destacou o apoio que recebeu de outros países que sofreram atentados no passado. Não obstante, a chefe do governo alemão reconhece a dureza de enfrentar o primeiro ataque jiadista na Alemanha, apesar de o seu executivo saber “em teoria” que o país estava “no ponto de mira do terrorismo islâmico”.

“Os valores da democracia e do Estado de direito estão do nosso lado”, afirmou a chanceler, que se manifestou “orgulhosa” da serenidade com que a imensa maioria dos cidadãos reagiu ao atentado e defendeu a necessidade de a sociedade se manter aberta e livre.

O ministro do Interior e o titular da pasta da Justiça, Heiko Maas, deixaram claro que a prioridade é agora encontrar o suspeito, mas reconheceram também a necessidade de se retirarem as lições pertinentes deste caso. A procuradoria federal alemã emitiu uma ordem de detenção europeia contra Amri, que já tinha sido vigiado pelas forças de segurança, mantinha vínculos com círculos jiadistas e não tinha sido expulso do país depois de lhe ter sido recusado um pedido de asilo por falta da documentação necessária.

O próprio Thomas de Maizière avançou esta quarta-feira que Amri é suspeito de estar implicado no atentado que matou 12 pessoas e fez dezenas de feridos, porque foi encontrado na cabina do camião um documento seu relativo ao estatuto de asilo.