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Neve e temperaturas negativas fazem vítimas entre os que aguardam para sair de Alepo

PHILIPPE DESMAZES / AFP / Getty Images

Várias pessoas, incluindo quatro bebés, já morreram por causa das condições meteorológicas extremas no norte da Síria. Mais de 25 mil pessoas já foram retiradas do leste da cidade sob um complexo acordo de cessar-fogo que ontem voltou a ser suspenso

A retirada de civis e de membros da oposição armada a Bashar al-Assad do leste de Alepo foi retomada esta quinta-feira sob um manto de neve e temperaturas abaixo de zero que já provocaram um número indefinido de mortos nos últimos dias, entre eles quatro bebés segundo informações da organização de caridade Save the Children.

Depois de mais um momento de tensão que viu o complexo plano de evacuação ser suspenso, as centenas de residentes e rebeldes que ainda não foram retirados do leste da cidade estiveram ao relento durante 24 horas a aguardar os autocarros que vão levá-los para Idlib, sem comida e sem forma de se aquecerem, avançaram fontes das equipas que estão a participar no transporte.

"Estas famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas depois de um sofrimento inimaginável e agora estão a ficar em tendas e edifícios abandonados no meio de uma tempestade de neve, numa aérea que já está sobrelotada com pessoas deslocadas", acrescentou Nick Finney, diretor da Save the Children na Síria, citado pelo "The Guardian".

Segundo esse e outros grupos de Direitos Humanos, as condições meteorológicas extremas estão a afetar igualmente todas as famílias que já partiram ou que já viviam em Idlib, que apesar de não estar a ser tão castigada por bombardeamentos como Alepo e de ainda ter comida armazenada e apoio médico garantido, continua a ser uma zona de guerra onde os mantimentos estão a começar a escassear.

Desde que a Rússia e a Turquia anunciaram há uma semana um cessar-fogo para retirar civis e rebeldes anti-Assad do leste de Alepo, num momento em que as tropas sírias e as milícias iranianas que as apoiam no terreno se preparam para recapturar totalmente a cidade, com o apoio de ataques aéreos russos, mais de 25 mil pessoas já foram retiradas em segurança para outras zonas sob controlo da oposição armada.

Esta quinta-feira, cerca de 60 autocarros e centenas de veículos privados continuavam em stand-by à espera para retirar da última faixa de Alepo sob controlo rebelde todos os civis e militantes que aguardam a partida para Idlib. As viagens têm sido intermitentes e já foram suspensas várias vezes desde o início da evacuação.

Quando a operação for concluída, as forças leais a Bashar al-Assad deverão anunciar a recaptura total da segunda maior cidade do país, que era o centro económico e cultural da Síria antes da guerra que estalou em março de 2011. Alepo era tida como o último bastião urbano da rebelião anti-Assad; a derrota dos insurgentes vem na prática reduzir a oposição armada a um movimento rural.