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Comentários homofóbicos obrigam professora a demitir-se

Clima anti-gay na Rússia faz vítimas: ao denunciar a alegada orientação sexual de uma professora nas redes sociais, um autodenominado ativista social obriga-a a demitir-se.

Timur Bulatov, que se autodenomina como ativista social, denunciou a orientação sexual de uma professora nas redes sociais, o que a levou a demitir-se, avançou esta quinta-feira o jornal BBC

Bulatov orgulha-se de ter sido o responsável pela demissão de Maria Shestopalova, uma professora que descreveu como sendo "satânica" e "lésbica". Além desta declaração, Bulatov redigiu um dossiê com um relatório detalhado de 31 páginas que enviou, posteriormente, para a diretora da escola onde a professora demissionária dava aulas em Krasnoyarsk, na Sibéria.

Nesse relatório, Bulatov expunha factos pessoais da vida da docente, tais como o seu apoio ao movimento LGBT, acusando-a de "promover a homossexualidade". A sua aparência não foi poupada, já que o documento referia o uso de piercings no lábio e na orelha.

O suposto ativista disse ainda que a professora "não compreende os limites da sua profissão", o que pode prejudicar os seus alunos" e também se vangloria de ter "salvado" centenas de crianças russas das mãos de 65 professores "imorais", que chegou a denunciar.

Maria Shestopalova usou as redes sociais russas para comunicar que se tinha demitido na sequência da pressão exercida pelos responsáveis da escola durante a reunião que, segundo a docente, terá durado seis horas. A reputação da escola, dos professores e a possível reação dos pais dos alunos foi o que pressionou Shestopalova a tomar essa decisão.

A professora aproveitou ainda para informar que moveu entretanto uma acusação judicial contra Timur Bulatov por difamação. Contudo, a diretora da escola, Olga Etsel, negou os factos. Em entrevista ao site russo Meduza, Etsel contradisse a alegação da pressão psicológica de que Shestopalova teria sido alvo na reunião, precisando que durou 90 minutos e não seis horas.

O Ministério do interior está presentemente a investigar o caso. Em 2013, a Rússia criou a lei "Relações Sexuais não-tradicionais" com o objetivo de proibir a publicidade gay no país. Desde então, os ativistas dos direitos humanos e as comunidades gay internacionais têm organizado protestos contra a diretiva que alega que a orientação gay "não é normal".