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Abatido a tiro jornalista filipino que denunciou negligência da polícia

Dondi Tawatao / Getty Images

Larry Que, editor de um site de notícias na ilha de Catanduanes, é o primeiro repórter a ser assassinado no país desde o início da guerra extrajudicial contra as drogas lançada pelo Presidente Rodrigo Duterte

Um jornalista filipino que escreveu um artigo a denunciar a alegada negligência das autoridades da sua cidade após descobrirem um laboratório de metanfetaminas foi abatido a tiro na segunda-feira, no primeiro homicídio de um repórter do país desde o início da guerra contra as drogas lançada por Rodrigo Duterte no início do ano.

Em comunicado, o Sindicato Nacional de Jornalistas das Filipinas (SNJF) condenou esta quinta-feira o homicídio de Larry Que, editor de um site de notícias da ilha de Catanduanes, e "desafiou" o Presidente a encontrar os responsáveis pondo a trabalhar a equipa especial que criou em outubro para proteger os jornalistas do país.

Apesar de ter um dos ambientes de media mais liberais do continente asiático, o arquipélago é um dos mais perigosos para a atividade jornalística, com dezenas de repórteres a serem mortos nas últimas três décadas, sobretudo aqueles especializados em política regional como Larry Que. A maior parte das investigações a esses homicídios terminam sem que se encontrem os culpados.

A vítima tinha lançado o site de notícias Catanduanes News Now há apenas duas semanas antes de ter sido morto com um tiro na cabeça à porta do seu escritório. Antes de se dedicar ao jornalismo de investigação, Que, que também era dono de uma seguradora, já tinha sido candidato a um cargo público na ilha.

Segundo o SNJF, o jornalista escreveu um artigo onde sugeria que a polícia de Catanduanes foi negligente a lidar com um laboratório ilegal de produção de "shabu", uma metanfetamina popular nas Filipinas que Duterte prometeu erradicar. No seu comunicado citado pelo "The Guardian", o sindicato de jornalistas diz que a equipa especial criada sob ordem administrativa há dois meses deve ter no topo da sua ordem de trabalhos a tarefa de encontrar os homicidas de Que — e critica o governo pelo que diz ser uma tendência de Duterte para acusar os jornalistas de distorcerem as suas palavras.

"Pedimos a este governo que passe das palavras às ações e que prove o seu professado respeito pela liberdade de imprensa, não só resolvendo rapidamente estes ataques desavergonhados à liberdade de imprensa mas, com a mesma importância, acabando com a sua propensão para acusar falsamente os media de fazerem, de forma deliberada, interpretações erradas das suas mensagens tantas vezes inconsistentes e incoerentes."