Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Continuam as buscas pelo suspeito de atentado em Berlim

TOBIAS SCHWARZ

Depois de terem detido e libertado o homem errado, no rescaldo do ataque com um camião que abalroou um mercado de natal da capital alemã, causando pelo menos 12 mortos e mais de 40 feridos

As autoridades alemãs continuam à procura do homem suspeito de abalroar um mercado de natal em Berlim com um camião, matando 12 pessoas e ferindo dezenas. Depois de ter capturado um homem de origem paquistanesa por suspeitas de envolvimento no atentado, a polícia anunciou que deteve o suspeito errado e relançou as buscas. "Temos de trabalhar com a suposição de que há um perpetrador armado continua em fuga", disse Holger Münch, chefe do gabinete criminal da polícia federal alemã. "Estamos em alerta máximo e a investigar todos os ângulos possíveis."

Na terça-feira à noite, o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) reivindicou o ataque embora não haja para já quaisquer indícios que sustentem essa alegação. No seu site de propaganda, o Amaq, o grupo jiadista disse que o responsável pelo que as autoridades estão a tratar como um "presumível atentado terrorista" é um "soldado do Estado Islâmico". É a mesma frase que foi usada para descrever o autor do ataque a uma discoteca gay de Orlando, nos EUA, em junho — atribuído a um "lobo solitário" sem ligações comprovadas ao grupo radical.

Horas antes, uma equipa das forças especiais tinha entrado no maior abrigo de refugiados de Berlim, num hangar do aeroporto de Tempelhof, para deter um homem registado ali, de 22 anos, de origem paquistanesa, que chegou à Alemanha há um ano. Vários refugiados que aguardam asilo naquele abrigo foram entrevistados. Horas depois, o alegado suspeito foi libertado e as autoridades assumiram que tinham detido o homem errado. Pouco antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha declarado que seria "repugnante" se se comprovasse que foi um requerente de asilo a executá-lo.

Aproveitando o caos instalado a poucos dias do natal, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) disse que o país já não é seguro. Merkel, acusou a líder do partido, Frauke Perry, "tem estado a importar o terrorismo para a Alemanha no último ano e meio".

Entretanto, os médicos da capital continuam a tentar salvar os feridos, muitos deles em estado grave, com hemorragias internas e membros amputados. Não houve crianças entre as vítimas mortais; seis delas eram cidadãos alemães. Dos mais de 40 feridos, pelo menos 18 estão a receber tratamento para o que os médicos e enfermeiros descrevem como ferimentos graves.

O ataque deu-se pelas 20h locais de segunda-feira, quando um camião TIR registado na Polónia e que transportava 20 toneladas de vigas de aço foi conduzido a 80 quilómetros/hora contra as bancas de venda do mercado de natal na Breitscheidplatz, em frente à igreja de Kaiser Wilhelm.

Existem cerca de 2500 mercados de natal em toda a Alemanha, incluindo 60 na capital. Fora de Berlim, todos continuaram esta terça-feira em funcionamento apesar das questões levantadas sobre se estarão suficientemente protegidos da ameaça de terrorismo. Especialistas de segurança têm alertado nos últimos anos para o facto de serem alvos fáceis para indivíduos e grupos radicais, por raramente terem bons dispositivos de segurança e rastreio. Há um mês, as autoridades norte-americanas tinham avisado os seus cidadãos para que evitassem os mercados de natal da Alemanha por consideraram que são potenciais alvos de elevado risco. Nenhum alerta semelhante foi emitido pelas autoridades alemãs.

  • “Há muito que ainda não sabemos”: afinal, o que aconteceu em Berlim?

    Até agora, contam-se 12 mortos e 48 feridos (24 já deixaram o hospital e 18 estão em estado muito grave) como resultado do “atentado terrorista” na noite passada em Berlim. Um camião saiu da estrada e abalroou um mercado de Natal. Inicialmente foi identificado como suspeito um jovem paquistanês de 23 anos. Agora, as autoridades admitem que possa ter sido detida a pessoa errada e que o condutor continue em fuga

  • “Um clima de pânico, tão favorável a soluções antidemocráticas”

    Olhámos para os acontecimentos em Berlim e na Turquia, explicamos o que se sabe, enunciamos as dúvidas, escrevemos as incertezas. E falámos com especialistas, que temem a politização do medo. Mas há quem não desista do carácter dos homens, como se lê numa mensagem deixada no memorial das vítimas de Berlim: “A luz é mais poderosa que a escuridão”

  • Daesh reivindica atentado em Berlim

    O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) acaba de reivindicar através da agência Amaq o atentado desta segunda feira num mercado de Natal em Berlim.Este é o terceiro ataque com um veículo automóvel reivindicado na Amaq no ocidente: depois de Ohio (EUA) e Nice (França) agora em Berlim (Alemanha)