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Polícia alemã investiga “presumível atentado terrorista” em Berlim

FABRIZIO BENSCH / Reuters

Incidente na noite de segunda-feira, em que um camião abalroou um mercado de Natal na Breitscheidplatz, no centro da capital alemã, provocou pelo menos 12 mortos e cerca de 50 feridos, muitos deles em estado grave. O “The Guardian” diz que um suspeito está a ser interrogado esta terça-feira

A polícia de Berlim está a tratar o incidente de segunda-feira à noite, em que um camião abalroou um mercado de Natal na cidade, provocando pelo menos 12 mortos e cerca de 50 feridos, como um "presumível atentado terrorista".

De acordo com o "The Guardian", um suspeito – que poderá ser o condutor do camião e que foi detido a dois quilómetros do local – está a ser interrogado esta terça-feira sob a suspeita de que o Scania preto foi deliberadamente conduzido contra o mercado na Breitscheidplatz pelas 20h locais (menos uma em Lisboa), numa altura em que este se encontrava muito movimentado a apenas cinco dias do Natal.

Um homem que viajava no camião à hora do ataque e que a polícia excluiu como sendo o condutor do veículo sucumbiu aos ferimentos resultantes do incidente, sendo mais tarde identificado como um cidadão polaco. O dono da empresa polaca detentora do camião disse, depois do suspeito ataque, que perdeu contacto com o condutor pelas 16h locais após este ter abandonado o país em direção a Berlim. O camião foi levado da Polónia por um primo do dono da empresa, Ariel Zurawki, que disse ao canal de televisão do país TVN24 que "devem ter feito alguma coisa ao meu condutor".

Os médicos que trataram os feridos na cena do alegado crime e em vários hospitais e clínicas da capital alemã falam num elevado número de fraturas e ferimentos internos, como hemorragias e órgãos danificados, com muitos dos feridos em situações de vida ou de morte, o que motivou que vários médicos de folga fossem chamados aos seus locais de trabalho para ajudar a operar as vítimas.

"Isto não foi um acidente", disse uma testemunha ao jornal britânico, referindo que o veículo foi conduzido contra o mercado a alguma velocidade. "O camião seguia a 65 quilómetros/hora, estava no meio da praça, havia estradas de um lado e de outro [de onde podia ter vindo] mas não mostrou qualquer sinal de abrandar", disse Emma Rushton, turista britânica. "Abalrooou as pessoas e as bancas de madeira, destruiu as luzes. Tudo ficou escuro, ouviam-se gritos. Foi horrível." Outra testemunha, Mike Fox, disse à Associated Press que o camião quase o atingiu e confirmou a teoria de que este terá sido um evento propositado. "Foi definitivamente deliberado", disse o turista de Birmingham.

O incidente faz lembrar o ataque de julho em Nice, em que um francês de origem tunisina, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, conduziu um camião de 19 toneladas contra um passadiço onde centenas de pessoas estavam a passear no feriado do Dia da Bastilha, provocando 86 mortos e ferindo centenas de pessoas. Na altura, as autoridades francesas disseram que Lahouaiej agiu inspirado por propaganda do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) mas não foram encontradas quaisquer provas de que o grupo radical tenha orquestrado esse ataque. As autoridades francesas admitiram um dia depois do ataque que não tinham "quaisquer informações" sobre o condutor.

Horas depois do suspeito atentado, o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, disse que ainda não foram encontradas provas de que o incidente tenha sido deliberado, embora tenha alinhado com a postura da polícia berlinense ao referir que é provável que o tenha sido. "Ainda não temos nada conclusivo quanto às circustâncias e o curso dos eventos. Não quero usar a palavra 'ataque' ainda embora muito aponte para isso", disse à televisão pública ARD.

Apesar da falta de provas, o Presidente eleito dos EUA Donald Trump culpou de imediato os "terroristas islamitas" pelo alegado atentado. "Os nossos corações e orações estão com os familiares e amigos das vítimas deste horrendo ataque terrorista em Berlim. Civis inocentes foram assassinados nas ruas enquanto se preparavam para celebrar o Natal. O ISIS [Daesh] e outros terroristas islamitas continuam a matar cristãos nas suas comunidades e locais de culto como parte da sua Jihad global. Estes terroristas e as suas redes regionais e a nível mundial têm de ser erradicados da Terra, uma missão que vou executar com todos os parceiros que amam a liberdade."

Trump não citou quaisquer provas que sustentem a versão de um atentado terrorista levado a cabo por jiadistas e fez estas declarações antes de a polícia de Berlim emitir o seu primeiro comunicado, no qual disse apenas que o caso está a ser tratado como um "presumível atentado terrorista". A postura de De Maizière contrastou com a do futuro líder dos EUA: "Há um efeito psicológico em todo o país com a escolha de palavras aqui e queremos ser muito, muito cuidadosos e operar bem perto dos resultados da investigação de facto, não de especulação", disse o ministro do Interior.