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“Há muito que ainda não sabemos”: afinal, o que aconteceu em Berlim?

Sean Gallup / Getty Images

Até agora, contam-se 12 mortos e 48 feridos (24 já deixaram o hospital e 18 estão em estado muito grave) como resultado do “atentado terrorista” na noite passada em Berlim. Um camião saiu da estrada e abalroou um mercado de Natal. Inicialmente foi identificado como suspeito um jovem paquistanês de 23 anos. Agora, as autoridades admitem que possa ter sido detida a pessoa errada e que o condutor continue em fuga

O que aconteceu?

Eram 20h15 locais (19h15 em Lisboa) desta segunda-feira quando um camião saiu da estrada e entrou numa zona pedonal na praça Breitscheidplatz, em Berlim, onde estava instalado um mercado de Natal. Até agora, foram confirmados pela polícia 12 mortos e 48 feridos.

Ainda durante a noite passada, as autoridades germânicas, cortaram o trânsito numa rua nas proximidades da Breitscheidplatz, devido a um “objeto suspeito”. Mais tarde, confirmou-se que se tratava apenas de um saco-cama.
Pelas 00h30 (23h30 em Lisboa) as operações de socorro foram dadas por concluídas.

Foi um ataque terrorista? Algum grupo reivindicou o ataque?

Nas primeiras horas, as autoridades evitaram usar expressões como “ataque terrorista” para se referirem ao caso. Não havia certezas do que tinha acontecido. Só na terça-feira pela manhã, o ministro do Interior alemão Thomas de Maizière confirmou que o incidente se tratava de um atentado. “Pouco importa o que possamos descobrir sobre as motivações do atacante, mas não devemos deixar que isso afete o nosso modo de vida em liberdade. Estamos profundamente tristes, mas temos também que lutar pela nossa liberdade”, disse.

Depois, foi a vez de Angela Merkel falar ao país: “Há muito que ainda não sabemos com suficiente clareza, mas temos de assumir que foi um ataque terrorista”.

Na conferência de imprensa, citada pela AP, a chanceler, que tem sido criticada pelos partidos de extrema-direita pela sua política de acolhimento de refugidos, considerou o ato como “repugnante” se se confirmar que o culpado foi um requerente de asilo no país.

“Para nós, será particularmente difícil de suportar caso se confirme que este ato foi cometido por uma pessoa que pediu proteção e asilo à Alemanha”, sublinhou.

O atentado continua por reivindicar.

Quem é o responsável?

Ainda na noite de segunda-feira, foi detido um suspeito de estar envolvido no atentado. Segundo os media alemães, trata-se de um paquistanês de 23 anos. De acordo com o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, o homem, sem antecedentes relacionados com terrorismo, “chegou à Alemanha a 31 de dezembro de 2015 e fixou-se em Berlim há cerca de dez meses”, onde pediu asilo.

Ao longo dos interrogatórios, o suspeito negou sempre o envolvimento no ataque. Mais tarde, em conferência de imprensa, o chefe da polícia de Berlim, Klaus Kandt, anunciou que não era possível confirmar se o indivíduo detido era o condutor do camião, como anteriormente se pensara. Ficou no ar a possibilidade de o verdadeiro responsável pelo morte de 12 pessoas ainda estar em fuga.

Três jornais alemães citam fontes policiais e garantem que as autoridades “apanharam o homem errado”. Uma fonte policial disse ao “Die Welt” que o homem detido pode não ser o autor do ataque e que o verdadeiro responsável pode ser um homem “considerado perigoso”, que se encontra em fuga.

Entretanto, já ao final da tarde desta terça-feira, o paquistanês foi libertado. “Até agora, as análises forenses realizadas não são prova suficiente da presença do suspeito na cabine do camião durante o crime”, lê-se no comunicado do procurador alemão, citado pela BBC.

Para o o chefe da polícia de Berlim, o facto de não ter surgido nenhum vídeo com imagens do ataque, poderá ser um indício de que o seu autor agiu de forma isolada.

Quem são as vítimas?

Segundo o mais recente balanço apresentado pela polícia de Berlim, 12 pessoas morreram e 48 ficaram feridas (18 pessoas estão em estado grave e 24 já deixaram o hospital).

Entre as vítimas mortais, estão seis alemães e um polaco, informou o chefe da polícia federal alemã, Holger Munch, citado pela BBC. A identificação das vítimas ainda não foi concluída.

O homem de origem polaca morto no ataque foi encontrado pela polícia dentro do camião. Identificado como Lukasz Urban, tinha 37 anos e era da zona da ocidental da Polónia, perto da fronteira com a Alemanha.

“Era uma fotografia com o rosto do meu primo. Era óbvio que eles lutaram. O rosto dele estava inchado e ensanguentado”, disse Ariel Zurawski, dono da empresa do camião, citado pela Polish TV, avança a Reuters.

Segundo Zurawski, a imagem mostrava que o primo foi “esfaqueado e baleado”. A polícia alemã confirmou que Lukasz Urban morreu devido a um tiro.

Lukasz Urban conduzia o camião quando este saiu de Itália com destino à Polónia, passando por Berlim. Transportava barras de aço que deveria ser entregues esta terça-feira de manhã. Como chegou mais cedo do que previsto a Berlim, tentou descarregar o material logo na segunda-feira ao final da manhã. Mas não foi possível.

Segundo o primo e dono da empresa detentora do camião, Lukasz Urban estacionou num bairro perto do local de descarga. A última vez que falaram, foi por volta das 16h (15h em Lisboa) de segunda-feira.

Quem reagiu?

“Partilhamos a dor, toda a cidade de Berlim, todo o mundo livre está de luto pelas vítimas deste cobarde e desumano ataque à nossa pacífica forma de vida”, disse Michael Mueller, presidente da Câmara de Berlim, na tarde desta terça-feira durante a homenagem às vítimas do atentado.

Em Berlim, prestou-se homenagem esta terça-feira num serviço na Igreja Memorial do Imperador Guilherme, na praça Breitscheidplatz.

Pelo mundo, multiplicam-se as mensagens de condenação ao atentado. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América, ofereceu a Merkel, todo o apoio para investigar o o atentado. Pediu que os seus pêsames fossem transmitidos aos familiares das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos.

Já Vladimir Putin disse ter ficado “chocado”. “Este crime cometido contra civis pacíficos choca pela sua brutalidade e cinismo”, disse numa mensagem de condolências enviada aos líderes alemães e divulgada pelo Kremlin.

O papa Francisco enviou uma carta ao arcebispo de Berlim, em que dizia rezar pelas vítimas do atentado na capital alemã e que se junta aos “homens de boa vontade” para acabar com “a loucura do terrorismo”.

Ahmed Abulgeit, secretário-geral da Liga Árabe considerou o atentado como um “ato criminoso” e como “um novo capítulo dos atos terroristas cegos e indiscriminados contra inocentes em diferentes partes do mundo”. Também o príncipe herdeiro do Bahrain e vice-primeiro-ministro, Salman bin Hamad al Kalifa, enviou uma mensagem de pêsames e condolências à chanceler alemã.

O ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio condenou o ataque e apelou a uma maior colaboração internacional “para acabar com as organizações terroristas que estão por detrás de ações brutais contrárias aos valores humanos”.

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