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Internacional

Detidos 6 suspeitos de ligações ao assassínio do embaixador russo em Ancara

SERGEI ILNITSKY / EPA

Polícia turca está a interrogar seis pessoas de interesse no âmbito da investigação à morte de Andrei Karlov, numa galeria de arte na capital, na segunda-feira ao final do dia

A polícia turca já deteve seis pessoas desde que o embaixador da Rússia em Ancara, Andrei Karlov, foi abatido a tiro numa galeria de arte da capital turca esta segunda-feira, por um agente da polícia, que estava de folga, e que gritou "Não esqueçam Alepo" e "Allahu Akbar" ('Deus é grande'). De acordo com informações avançadas pela agência estatal Anadolu e citadas pela Reuters, a mãe, o pai, a irmã e outros dois familiares do agente – que foi abatido pela polícia no local do crime – foram detidos na província de Aydin; e o seu colega de casa foi levado para uma esquadra em Ancara.

Ao longo da manhã desta terça-feira, a polícia turca continuava a investigar a cena do crime, onde o agente ainda não identificado disparou oito tiros contra as costas de Karlov, atingindo-o com pelo menos uma bala; o embaixador acabaria por sucumbir aos ferimentos ainda dentro da galeria de arte, onde estava a inaugurar uma exposição sobre "A Rússia vista pelos turcos".

Os Estados Unidos informaram que as suas três missões diplomáticas na Turquia vão continuar encerradas esta terça-feira após uma arma ter sido disparada frente à embaixada do país em Ancara, que fica bem próxima da galeria onde o embaixador russo foi abatido, pouco depois desse ataque. De acordo com os media estatais, um homem foi detido por suspeitas de ter disparado a arma em frente à representação diplomática.

Também esta terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia informou que as autoridades russas e turcas falaram ao telefone durante a noite e concluíram que têm de trabalhar mais para um combate efetivo ao terrorismo. Para hoje, é esperada uma reunião entre os chefes da diplomacia da Rússia, da Turquia e do Irão, que já estava marcada e que terá lugar em Moscovo, para discutir a grave crise humanitária na Síria. Uma delegação russa terá aterrado em Ancara pelas 11h locais (8h em Lisboa) para participar nas investigações ao ataque, avançou a CNN Turk.

Motivações do ataque

O ataque acontece semanas depois de um porta-voz de um grupo muçulmano sunita ter pedido aos seus apoiantes em todo o mundo que executem ataques, em particular contra os interesses diplomáticos, financeiros e militares da Turquia. Contudo, fonte das autoridades de segurança turcas disse que "há sinais muito fortes" de que o suspeito atirador teria ligações ao movimento de Fethullah Gulen, o clérigo em tempos aliado do atual Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que vive exilado nos Estados Unidos e que Ancara responsabiliza pelo golpe de Estado falhado em julho.

No rescaldo do ataque, o Presidente russo Vladimir Putin disse que o ataque teve como objetivo desestabilizar as relações já de si frágeis entre a Rússia e a Turquia. Um vídeo posto a circular na internet momentos depois do ataque mostra o atirador a gritar "Não esqueçam Alepo, não esqueçam a Síria" e "Allahu Akbar" sobre os gritos das pessoas presentes na galeria à hora do atentado. O homem é depois visto a andar de um lado para o outro com a arma de fogo numa mão e a abanar a outra no ar.

A Rússia é a grande aliada do Presidente sírio Bashar al-Assad, e a campanha intensiva de ataques aéreos que tem executado no país foi o que possibilitou que as forças sírias e as milícias iranianas que lutam ao seu lado no terreno expulsassem os últimos grupos da oposição armada a Assad de Alepo, no norte. A Turquia apoia a deposição de Assad e, antes deste ataque, já estava a tentar remendar as relações com Moscovo após o abate de um avião de guerra russo há um ano enquanto sobrevoava o território sírio.