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Conselho de Segurança aprova envio de observadores da ONU para Alepo

OMAR HAJ KADOUR/GETTY IMAGES

Cerca de 13 mil pessoas já terão deixado o leste da cidade síria desde quinta-feira, ao abrigo de um plano de evacuação que prevê também a retirada de doentes e feridos de duas zonas do oeste sob controlo das forças sírias que estão sitiadas pela oposição armada

O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução para enviar para Alepo funcionários da organização e outros monitores para supervisionar a evacuação em massa do leste de Alepo, controlado pelos rebeldes da oposição a Bashar al-Assad desde 2012 mas que, nos últimos meses, foi sendo reconquistado pelas tropas sírias e seus aliados, incluindo a força aérea russa.

Os 15 membros do Conselho conseguiram ultrapassar as suas diferenças e aprovaram a resolução por unanimidade. Nela é sublinhada a necessidade de “a ONU e outras instituições relevantes levarem a cabo uma monitorização adequada e neutra” da evacuação em massa de Alepo. O enviado especial da Síria a Nova Iorque para a votação, Bashar Jaafari, aproveitou a sessão para criticar os membros do Conselho que têm agendas escondidas e que pretendem “legitimar a interferência estrangeira, a mudança de governos legítimos à força ou até o uso da força militar”.

Para que os observadores da ONU e de outras organizações possam ser enviados para a província do noroeste da Síria, é preciso que o governo de Bashar al-Assad o autorize. O facto de a Rússia, sua aliada, não ter usado o seu poder de veto, como em votações anteriores no Conselho, tendo pelo contrário apoiado o envio de equipas de monitorização independentes, sinaliza a elevada probabilidade de o Presidente sírio autorizar a presença destas equipas em Alepo.

Retirada de civis continua

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), cerca de 13 mil pessoas, na sua maioria civis, já foram retiradas do leste de Alepo sob o plano de evacuação alcançado pela Rússia e pela Turquia e por duas vezes violado, um que prevê ainda a retirada de civis de duas áreas do oeste de Alepo controladas pelas forças de Assad mas sitiadas por alguns grupos da oposição armada.

Aos jornalistas, o enviado especial da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, disse que há planos para retomar as negociações de paz a 8 de fevereiro, quando vai faltar cerca de um mês para se completarem seis anos de uma guerra civil que já causou meio milhão de mortos e muitos mais deslocados internos e refugiados.

Neste momento, haverá ainda cerca de 7 mil pessoas encurraladas em Alepo, de acordo com o mesmo Observatório com sede em Londres. Há várias semanas que a comida, a água potável e os abrigos escasseiam, isto depois de todos os hospitais ainda em funcionamento terem ficado destruídos nos bombardeamentos aéreos russos durante a ofensiva para recapturar Alepo.

Entre os que foram retirados do leste da cidade síria, na segunda-feira, contam-se 47 crianças que estavam sozinhas e presas num orfanato há vários dias, informou a UNICEF em comunicado. Algumas delas encontram-se em estado grave por causa da desidratação.

Aqueles que têm sido retirados da cidade, em tempos a mais populosa da Síria, estão a ser levados para as partes das províncias de Alepo e de Idlib, no noroeste, ainda sob controlo da rebelião anti-Assad. A evacuação da parte oriental de Alepo foi retomada no domingo depois de várias horas em suspenso, na sequência de um ataque a autocarros que iam transportar feridos e doentes de duas aldeias de Idlib sob controlo das forças sírias. O OSDH aponta que 500 das 4 mil pessoas que ainda residem nessas aldeias de maioria xiita abandonaram o local na segunda-feira.

Entretanto, um representante de um grupo rebelde citado pela BBC informou que centenas de pessoas também vão ser retiradas de Zabadani e Madaya, duas cidades controladas pela oposição e sitiadas pelas forças do governo, perto da fronteira com o Líbano.

Hoje, terá lugar um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, da Turquia e do Irão para discutir a situação na Síria, uma reunião que será ensombrada pelo atentado de segunda-feira em Ancara, capital turca, que teve como único alvo o embaixador russo no país. Andrei Karlov foi abatido a tiro por um agente da polícia turca no seu dia de folga, que gritou “Não esqueçamos Alepo, não esqueçamos a Síria” ao abrir fogo sobre o representante diplomático, durante a inauguração de uma exposição subordinada ao tema “A Rússia vista pelos turcos”. Ainda não se sabe se o agente de 22 anos agiu sozinho ou em conluio com cúmplices e/ou grupos extremistas.