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Brexit. Escócia quer ficar no mercado único

RUSSELL CHEYNE / REUTERS

“O lugar da Escócia na Europa” é o título do plano que Nicola Sturgeon, primeira-ministra escocesa, espera que o negociadores tenham em consideração quando negociarem a saída do Reino Unido da União Europeia

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, apresentou esta terça-feira um plano para que o país permaneça no mercado único, mesmo que o Reino Unido venha a negociar uma saída total da União Europeia.

Sturgeon pretende que o Executivo britânico tenha o seu plano em atenção e o torne um “elemento integrante” das negociações. Citada pelo “The Guardian”, a primeira-ministra descreveu a proposta como “detalhada, séria e razoável, que visa sobretudo o Governo do Reino Unido”.

Theresa May já respondeu, manifestando que não apoia o documento do Governo escocês. “O que nós vamos negociar é uma abordagem do Reino Unido e a sua relação com a UE. Quando me tornei primeira-ministra e conheci Sturgeon disse que teria em consideração qualquer proposta que surgisse, mas há propostas que são impraticáveis”, referiu May.

Mesmo que o resto do Reino Unido opte pelo Brexit, Sturgeon pretende que a Escócia permaneça no mercado único, tornando-se membro da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, em inglês), tal como a Suíça, o Liechtenstein, a Noruega e a Islândia e, dessa forma, fazer parte do Espaço Económico Europeu (EEE). O EEE permite que os países membros da EFTA participem no mercado interno europeu sem terem de assumir todas as responsabilidades inerentes à participação na UE.

Sturgeon referiu ainda que este documento não visa tornar prioritário o comércio com a Europa, em detrimento das relações com o resto do Reino Unido, e que seria possível para a união aduaneira continuar em vigor entre a Inglaterra e a Escócia.

A primeira-ministra admite que, na prática, podem existir algumas condicionantes, mas acrescentou que “há maneiras para ultrapassar esses desafios se houver vontade política nesse sentido”. Sturgeon acredita que é possível um Brexit diferenciado entre as várias partes do Reino Unido. “Acredito que é alcançável. O que eu sei é que há boa vontade dentro da UE e apoio para que a Escócia continue dentro da família Europeia”, garante a primeira-ministra.

Sturgeon não descartou, contudo, a possibilidade de um segundo referendo. Considera que a independência seria “a melhor opção” para a Escócia, mas dado que o país não é independente, a chefe do Executivo sublinha que o melhor para o Reino Unido é permanecer no mercado único e na união aduaneira.

Em outubro passado, a ministra disse estar comprometida a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para proteger os interesses dos escoceses e defender o voto maioritário da população (62%) a favor da permanência do país na UE, no referendo sobre o Brexit do dia 23 de junho.