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Centenas abandonam leste de Alepo após retomada da evacuação

OMAR HAJ KADOUR/GETTY IMAGES

Conselho de Segurança da ONU volta a reunir-se esta segunda-feira, em Nova Iorque, para aprovar monitorização das operações de retirada de civis e rebeldes

A evacuação do leste de Alepo foi retomada nas últimas horas deste domingo, com autocarros e ambulâncias a abandonarem os últimos bastiões da rebelião anti-Assad naquela cidade. Pelo menos 350 pessoas foram retiradas dos enclaves dos opositores armados ao governo sírio ao final de domingo e transportadas para outros territórios do norte ainda sob controlo dos rebeldes, como Idlib.

Horas antes, autocarros que tinham sido enviados para as áreas de Alepo sob controlo do governo e sitiadas pelos rebeldes, na parte ocidental da segunda maior cidade síria, foram incendiados, levando à suspensão das operações de evacuação.

Entre as pessoas que conseguiram abandonar o leste de Alepo entre a noite de domingo e esta segunda-feira de manhã conta-se Bana Alabed, a criança de sete anos que ganhou fama no Twitter no início do mês tinha com posts sobre as condições no terreno nas áreas controladas pelos rebeldes e sitiadas pelas tropas sírias e as milícias iranianas que as acompanham no terreno. A retirada de Bana foi confirmada pelo chefe da Sociedade Médica Sírio-Americana no Twitter.

Milhares de adultos e crianças cercados há vários meses continuam à espera para abandonar Alepo, cidade castigada por todas as partes envolvidas no conflito sírio e onde as condições são cada vez mais degradantes ou inexistentes. No domingo tinha sido avançado que o Conselho de Segurança alcançara um compromisso para permitir que equipas da ONU sejam enviadas ao local a fim de monitorizarem a retirada de civis e rebeldes das áreas sitiadas – isto depois de a Rússia, aliada de Bashar al-Assad, ter rejeitado uma proposta de resolução apresentada por França com esse intuito, que Moscovo classificou como um "desastre".

No encontro desta segunda-feira em Nova Iorque, a partir das 9h locais (14h em Lisboa), é esperado que o Conselho de Segurança aprove com unanimidade o envio de observadores para o leste de Alepo. "Antecipamos uma aprovação unânime deste texto", disse a embaixador dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power.

Os primeiros esforços de retirada de civis e rebeldes tinham colapsado logo na sexta-feira, deixando centenas de pessoas presas em vários pontos ao longo da rota que as levaria ao noroeste sob controlo da rebelião, sem acesso a comida nem abrigos.

O ataque deste domingo aos autocarros enviados para a parte ocidental de Alepo foi atribuído à Jabhat Fateh al-Sham, ex Frente al-Nustra, ligada à Al-Qaeda, um dos vários grupos que compõem o complicado mosaico de forças rebeldes que combatem o governo de Assad desde março de 2011, quando estalou a guerra civil. O Hezbollah, a milícia libanesa que tem estado a combater lado a lado com as forças leais ao Presidente sírio, disse que o incêndio nos veículos começou durante uma rixa entre os jiadistas do Al-Sham e outro grupo rebelde islamita que apoiava a evacuação daquela parte de Alepo.

Nenhum desses grupos reagiu oficialmente ao ataque. O Exército de Libertação da Síria, formado por soldados que foram desertando das forças armadas sírias logo a seguir ao início da guerra e que é tido como um dos grupos da oposição moderada a Assad, condenou o ataque aos autocarros como um ato "negligente" que colocou em perigo as vidas dos milhares que aguardam a retirada do leste de Alepo.

Apesar do ataque, os autocarros e as ambulâncias enviados para esse lado da cidade retomaram ontem as operações de evacuação assim que caiu a noite. "As evacuações prosseguem", disse fonte da ONU num email enviado à Reuters, onde explicou que os primeiros grupos abandonaram Alepo pelas 23h locais (21h em Lisboa).

A AFP citou Ahmad al-Dbis, chefe da equipa de médicos que está a coordenar as operações, dizendo que cinco autocarros já chegaram a Khan al-Assal, uma aldeia sob controlo rebelde mais a norte. A partir dali, os deslocados viajarão para outras partes das províncias de Alepo e Idlib.

Para que esta retirada de civis e rebeldes fosse retomada no leste de Alepo, as forças pró-Assad tinham exigido que a população de duas aldeias de maioria xiita em Idlib, Foah e Kefraya, sitiadas pelas forças rebeldes, pudessem sair para local seguro. Essa operação decorreu no sábado.

Entre as pessoas que aguardam pela retirada do leste de Alepo contam-se, segundo a Unicef, crianças e feridas e doentes. Algumas crianças pequenas já foram obrigadas a abandonar a cidade sem os pais e centenas de menores vulneráveis continuam encurralados.