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Internacional

Amnistia condena perseguição violenta da minoria Rohingya na Birmânia

RAVEENDRAN

Grupo de direitos humanos critica silêncio e inação de Aung San Suu Kyi e diz que forças militares birmanesas podem estar a cometer crimes contra a humanidade no estado de Rakhine

A Amnistia Internacional diz que as ações do Exército da Birmânia no estado de Rakhine contra a minoria Rohingya podem constituir crimes contra a humanidade, acusando as forças birmanesas de homicídios, violações, tortura e pilhagem das casas e propriedades da minoria étnica muçulmana.

As atrocidades denunciadas pela Amnistia num relatório divulgado esta segunda-feira continuam a ser desmentidas pelas forças birmanesas, que defendem estar apenas a conduzir operações anti-terroristas em Rakhine. O relatório surge na mesma semana de uma cimeira rara da Asean, o organismo regional composto pelas 10 nações do Sudeste Asiático, que será dedicada à violência contra a minoria Rohingya e que terá lugar em Rangun, antiga capital da Birmânia.

As acusações renovadas de violência contra a minoria muçulmana de Rakhine surgiram em outubro, após o exército ter lançado uma operação anti-insurgência na região, depois de um posto fronteiriço da polícia ter sido alvo de um ataque por um grupo militante.

Em novembro, um conselheiro especial da ONU para a Birmânia acusou as autoridades do país de estarem a executar uma "limpeza étnica" dos muçulmanos Rohingya, há várias décadas perseguidos e ostracizados na sociedade birmanesa. Nesse mês, a Human Rights Watch publicou imagens de satélite onde se viam aldeias inteiras arrasadas após essas operações.

O relatório que a Amnistia publicou esta segunda-feira tem por base entrevistas com 35 vítimas e com outras 20 pessoas envolvidas nos esforços humanitários e na monitorização da situação no norte da Birmânia. No documento, a organização de direitos humanos fala numa "catátrofe humanitária" com homicídios aleatórios, detenções arbitrárias e detenções, violações, tortura, pilhagem e destruição de propriedade, incluindo o incêndio intencional de 1200 casas e outros edifícios dos Rohingya, incluindo escolas e mesquitas. Estas ações do Exército, é referido, integram "um ataque sistemático e generalizado contra a população Rohingya de Rakhine e podem constituir crimes contra a humanidade".

Não se sabe ao certo quantos civis já perderam a vida neste conflito, em particular porque o Governo birmanês tem restringido o acesso de jornalistas e funcionários de organizações humanitárias ao estado do norte. A Amnistia calcula que pelo menos 27 mil Rohingya já fugiram para o Bangladesh desde outubro, piorando a situação frágil das comunidades pobres da fronteira. No país vizinho, aponta o grupo de direitos humanos, o governo está a rejeitar dar asilo aos refugiados.

No relatório é exigido ao governo birmanês e a Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz e líder de facto do novo Executivo, que ordenem o fim da violência, que condenem as violações de direitos humanos e que permitam o acesso sem restrições ao estado de Rakhine, para que a ONU abra uma investigação independente à onda de violência. Suu Kyi continua a defender a gestão da crise pelo seu governo e acusa a comunidade internacional de ser movida por ressentimentos.