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Internacional

Quer alugar um judeu?

ABIR SULTAN/EPA

Calma... Não é o que parece. Um projeto na Alemanha pretende combater o preconceito e os estereótipos, e propõe-se combinar encontros entre Judeus e Alemães, para facilitar um diálogo real, em que se podem fazer todas as perguntas. E é de graça (já para acabar com um dos preconceitos existentes sobre os Judeus).

Se está a ler, é porque o nome deste projeto cumpriu a sua função. O "Rent a Jew" é um projeto nascido na Alemanha, pela mão de 50 voluntários, entre estudantes e profissionais liberais com idades entre os 20 e os 40 anos, que preocupados com o crescimento a nível europeu da extrema-direita e do anti-semitismo, decidiram criar esta ação-choque. Um dos organizadores, Alexander Rasumny, explica que um dos objetivos é fomentar encontros descontraídos, em que Judeus e não-Judeus possam falar sobre o que quiserem, quebrando assim estereótipos e preconceitos, como o de que todos os Judeus são ricos... ou sovinas.

A Alemanha tem uma população de 81 milhões de habitantes, e apenas 200 000 Alemães são judeus. Como tal, muitos Alemães não conhecem de facto Judeus, apesar da omnipresente questão do Holocausto, perpetuando assim ideias feitas, transmitidas uns aos outros. Foi para deixarem de ser reduzidos a estereótipos que este grupo de pessoas decidiu criar esta plataforma e dar-lhe um nome provocatório. Promover encontros em que as pessoas possam efetivamente perguntar se é verdade que os Judeus são todos ricos; se se entreajudam sempre; se controlam os meios de comunicação social; ou se se consideram efetivamente o povo eleito são parte da finalidade do "Rent a Jew".

Os judeus que podem ser "alugados" na verdade nem cobram por estes encontros (apenas as despesas de deslocação). Os voluntários deslocam-se a escolas, universidades ou igrejas para falar. Não é de somenos notar que em 2015, registaram-se na Alemanha 2083 casos de ataques a Judeus e queixas de discurso de ódio (e no ano anterior, foram "apenas" 691). O timing, como tal, não podia ser melhor. E usar o choque como arma, provavelmente, justifica-se.