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Internacional

Maduro mantém circulação de notas de cem bolívares após protestos

Spencer Platt/GETTY

Nicolás Maduro diz que a Venezuela está a ser vítima de uma “sabotagem internacional”, que está a colocar obstáculos à entrada de dinheiro no país

Menos de uma semana depois de ter anunciado a retirada de circulação das notas de cem bolívares, o Presidente venezuelano decidiu este sábado suspender a medida e manter encerradas as fronteiras com o Brasil e a Colômbia até 2 de janeiro.

“Em três dias, passamos a ter 70% destas notas, quando antes rondavam os 5%. Por essa razão, prorrogo a manutenção dos cem bolívares até 2 de janeiro”, declarou Nicolás Maduro num discurso transmitido na TV estatal.

O governante garantiu que os cidadãos do país poderão continuar a usar sem problemas as notas de cem bolívares para as suas compras e atividades, na banca pública, privada e nas caixas multibanco.

Defendeu ainda que a Venezuela está a ser vítima de uma sabotagem internacional que está a colocar obstáculos à entrada de dinheiro no país.“Três aviões que transportavam a nova nota de 500 bolívares, alugados pelo governo venezuelano, foram desviados e a sua aterragem ordenada, pouco depois de terem partido da Suécia”, acusou o Presidente venezuelano, citado pelo jornal “El Universal”.

A suspensão da medida ocorreu depois de milhares de venezuelanos terem saído às ruas na sexta e sábado em protesto contra a falta de bens alimentares e dinheiro. No discurso ao país, Maduro não deixou também de criticar as manifestações, apontando responsabilidade à oposição nos atos de violência.

“Não tenho medo de nada, nem das máfias violentas. Em todos os lados onde há violência existem presos dos partidos Primeiro Justiça e Vontade Popular”, disse o Presidente venezuelano, acrescentando que foram detidos dirigentes dos dois partidos, que alegadamente atacaram bancos na cidade de Gusdualito.

Entretanto, a cidade de Bolívar, no sudeste do país, foi militarizada após protestos violentos e saqueamentos a vários estabelecimentos. Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de 200 foram detidas, refere o “El Nacional.”

Em plena crise, as perspetivas da Venezuela não são nada positivas – de acordo com o FMI, o PIB do país deverá cair 8% este ano e 4,5% em 2017. A Conferência Episcopal Venezuelana tem criticado as medidas improvisadas de Maduro, considerando que têm agravado a situação económica e social do país.