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Internacional

Supremacista branco declarado culpado do massacre em Charleston

Dylann Roof foi transportado para o estabelecimento prisional de Charleston

FOTO Grace Beahm/Getty Images

Dylann S. Roof, agora com 22 anos, estava a ser julgado há uma semana por ter abatido nove pessoas a tiro numa igreja afroamericana da Carolina do Sul em junho do ano passado. Homicida que escreveu manifesto a dizer que "os negros são estúpidos e violentos" enfrenta pena de morte ou prisão perpétua

Dylann S. Roof, o supremacista branco que em junho do ano passado matou a tiro nove paroquianos negros numa igreja de Charleston, na Carolina do Sul, foi declarado culpado das 33 acusações de crimes de ódio pelas quais estava a ser julgado desde 7 de dezembro.

Roof não demonstrou qualquer emoção quando um funcionário do tribunal leu o veredito na quinta-feira. A sua equipa de defesa vai enfrentar os jurados a partir de 3 de janeiro, quando terá início a segunda e última fase do julgamento, para se decidir se o homicida, agora com 22 anos, vai ser condenado à morte ou a prisão perpétua sem hipótese de liberdade condicional.

O júri levou apenas duas horas a deliberar até voltar à sala do tribunal para anunciar o veredito de culpa, um atrás do outro, até contabilizar os 33 correspondentes à quantidade de crimes de que Roof era acusado. No tribunal estavam duas sobreviventes do ataque, Felicia Sanders e Polly Sheppard.

"Não esperava nada menos que isto", disse Sanders aos jornalistas à saída do tribunal. "Sabia que ia ser culpado, culpado, culpado até ao fim." Felicia e o marido, Tyrone, perderam o filho pequeno no massacre. "Só pensava no que faria se conseguisse chegar a ele", disse Tyrone. "Mas deus impediu-me de fazer alguma coisa."

O resultado do julgamento não surpreendeu ninguém, sobretudo depois de o advogado de defesa de Roof, ter dado o mote às audiências ao assumir que o supremacista foi responsável por "um ataque horrível e assombroso" a 17 de junho de 2015. Antes disso, o homicida já tinha confessado aos investigadores quase 18 meses antes que cometera o crime, apresentando como justificação um manifesto racista onde declarava que "os negros são estúpidos e violentos" e que ele, Roof, "não tinha escolha" a não ser matá-los.

Durante meses, o jovem vigiou a Igreja Episcopal Metodista Emanuel, de maioria afroamericana, para estudar as rotinas dos paroquianos e preparar o seu ataque. Às autoridades disse ainda que tinha pesquisado outras igrejas de negros e um festival na Carolina do Sul antes de escolher como alvo aquela igreja de Charleston, pelo facto de estar situada na "cidade mais histórica" do seu estado.