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Internacional

França vai apresentar “resolução humanitária” para a Síria na ONU

EPA

Presidente François Hollande diz que “nem sequer imagina” a possibilidade de a Rússia vetar o documento que vai ser introduzido no Conselho de Segurança, como fez com as anteriores resoluções. Evacuação do leste de Alepo continua em marcha esta sexta-feira, dia de reunião de emergência do Conselho

O Presidente de França garantiu na quinta-feira que vai apresentar uma resolução "humanitária" para a Síria no Conselho de Segurança da ONU, descartando a possibilidade de a Rússia vetar o documento como fez com as seis resoluções que já foram levadas a votação no Conselho desde o início da guerra civil no país, em março de 2011.

"A Rússia vetou várias vezes resoluções políticas mas esta resolução tem uma finalidade humanitária", declarou François Hollande em Bruxelas no final da cimeira dos líderes da União Europeia. "O que queremos é salvar a população. Nem sequer imagino que [a Rússia] possa fazê-lo."

Não é certo se a resolução em causa vai ser apresentada já esta sexta-feira durante a reunião de emergência do Conselho para discutir a retirada de civis e rebeldes do leste de Alepo, cidade estratégica que a rebelião anti-Assad controla desde 2012 e que está prestes a ser recapturada pelas forças leais ao Presidente sírio, que incluem o exército do país, milícias iranianas e libanesas e a força aérea russa, que teve um papel preponderante na reconquista da cidade.

Ontem, durante a cimeira em Bruxelas, os líderes da UE pediram que sejam abertos corredores humanitários para permitir a retirada das dezenas de milhares de civis encurralados na parte oriental de Alepo e o acesso de equipas de ajuda humanitária ao local sem restrições. "Por agora", disse Hollande aos jornalistas, o bloco não vai decretar sanções contra Moscovo pelo seu apoio a Damasco, embora "possa vir a fazê-lo nas próximas semanas se ficar demonstrado que houve violações de direitos humanos" na Síria.

"Não devemos deixar que um ditador atue daquela maneira e com o apoio de países que só têm um interesse, a sua influência", declarou o Presidente francês. "Não devemos deixar que um ditador massacre a sua população."

Também ontem, o Presidente sírio, Bashar al-Assad, celebrou a "libertação" de Alepo após mais de quatro anos de combates, dizendo que "está a ser feita História". O Ocidente acusa o governo sírio e a sua aliada Rússia de massacrarem civis na cidade, alegações que ambos refutam. Vladimir Putin garante que as negociações com a Turquia continuam em Astana, no Cazaquistão, para se alcançar um "cessar-fogo completo para toda a Síria".

Evacuação de Alepo continua

As operações de evacuação do leste de Alepo continuam em marcha esta sexta-feira, depois de mais de três mil pessoas terem sido retiradas ontem em autocarros do regime sírio para Idlib, outra província do norte da Síria sob controlo dos rebeldes. A ONU diz que pelo menos 40 mil civis estão encurralados naquela parte da cidade, que já está praticamente tomada pelas tropas leais a Assad.

À BBC, fonte do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disse que a evacuação continua em marcha e que o cessar-fogo negociado pela Rússia e pela Turquia continuou a ser respeitado esta madrugada. "Isso quer dizer que vamos continuar a trabalhar sem pausas, tanto os voluntários do Crescente Vermelho Sírio como os funcionários do CICV", disse Pawel Krzysiek, porta-voz da organização não-governamental, ao canal britânico. "Queremos definitivamente manter este momentum dado que a situação para as pessoas é verdadeiramente desesperante ali."

Ontem, o ramo da Cruz Vermelha na Síria tinha confirmado que cerca de três mil civis já foram retirados, mais de 40 deles feridos, inlcuindo crianças. O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, avançaria depois a estimativa da organização sobre a quantidade de pessoas ainda presas no leste de Alepo — "cerca de 50 mil pessoas, incluindo 40 mil civis, que têm o infortúnio de viver naquela parte da cidade."