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Internacional

Retirada de rebeldes e civis do leste de Alepo já está em marcha

OMAR SANADIKI/REUTERS

Fontes dos dois lados da barricada dizem que evacuação da zona que os rebeldes controlavam desde 2012 está quase a começar, com uma fonte oficial síria a garantir à Reuters que a operação "já começou". Pelo menos 50 mil civis continuam encurralados nos dois distritos cercados pelo exército sírio e seus aliados. Sob o novo acordo de trégua, serão retirados só após a evacuação de duas aldeias do noroeste da Síria que estão sitiadas pela rebelião anti-Assad

As esperanças de que o leste de Alepo, sob controlo dos rebeldes anti-Assad há quatro anos, seja evacuado esta quinta-feira de manhã aumentaram, depois de fontes de um lado e de outro da barricada terem avançado que a delicada operação no terreno já começou ou que está prestes a começar.

A retirada de rebeldes e de civis da parte oriental da cidade, a segunda maior da Síria e a mais populosa do país antes da guerra, estava prevista para as primeiras horas da manhã de quarta-feira, mas o cessar-fogo temporário implementado para esse efeito colapsou. Pelo menos 50 mil civis continuam encurralados na parte oriental de Alepo, que os rebeldes ocupam e controlam desde 2012 e que está sitiada pelas forças governamentais e aliadas de Assad desde o verão.

Fontes da rebelião síria citadas pela BBC disseram esta manhã que uma nova trégua entrou em vigor pelas 3h em Lisboa e que a evacuação iria começar nas horas seguintes. Fontes do exército sírio, do Hezbollah (milícia libanesa xiita que apoia o governo de Assad) e os media russos confirmaram que as preparações para a retirada estavam já em marcha. Uma outra fonte oficial síria, citada pela Reuters, diria já durante esta manhã que "a operação para organizar a partida de homens armados do leste de Alepo acabou de começar".

A unidade de media do Hezbollah tinha explicado horas antes que houve "grandes complicações" mas que "contactos intensivos entre as partes responsáveis levaram à reconsolidação do cessar-fogo para retirar combatentes armados dos distritos orientais nas próximas horas".

De acordo com os media russos, a operação passa pelos rebeldes serem escoltados por soldados da Rússia aliada de Assad para fora de Alepo, através de um corredor que os levará a Idlib, um outro bastião rebelde, também no norte, em autocarros e ambulâncias do regime sírio já estavam na cidade desde ontem. Toda a operação será monitorizada por drones.

Ismail Alabdullah, do grupo de voluntários Capacetes Brancos, confirmou à BBC que os autocarros do governo já estavam a entrar na área onde ele trabalha, alimentando a sua esperança de que a retirada de rebeldes e civis possa começar em breve.

Sob o novo acordo de trégua alcançado esta madrugada, duas aldeias do noroeste da Síria que estão cercadas pelos rebeldes também serão evacuadas, uma condição imposta por Assad para que a retirada dos seus opositores de Alepo avançasse.

Antes disso, e logo após o colapso do cessar-fogo anunciado na quarta-feira pela Rússia e a Turquia, a força aérea russa, que tem dado grande apoio ao regime de Assad nos esforços para recapturar Alepo, retomou os ataques aéreos ao território sob controlo dos rebeldes no leste da cidade, onde pelo menos 50 mil civis continuam encurralados.

"Apesar de as razões para o colapso do cessar-fogo serem alvo de disputa, a retomada de bombardeamentos extremamente pesados pelas forças do Governo sírio e seus aliados numa área cheia de civis é quase certamente uma violação da lei internacional e muito provavelmente representa um crime de guerra", avisou Zeid Raad al-Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos.

Na quarta-feira, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, exigiu acesso imediato ao leste de Alepo para supervisionar a retirada, após notícias de execuções sumárias de civis pelas tropas leais a Assad. A organização diz ter provas fidedignas de que pelo menos 82 civis foram mortos em quatro áreas pelas tropas sírias e diz suspeitar que muitos mais perderam a vida desde que as forças leais a Assad conseguiram quebrar a muralha rebelde e reconquistar vários distritos do leste da cidade. Para já, não há confirmação de que equipas da ONU estejam ou venham a estar presentes no decorrer da operação.

  • Amor e morte: Alepo

    Esta imagem foi tirada a 4 de dezembro. Ainda havia guerra. Este texto é publicado a 14 de dezembro. Foi escrito que a guerra havia cessado. Mas não cessou. “Toda a gente vai ser morta.” Alepo, cidade trágica