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Presidente das Filipinas poderá ser alvo de processo de destituição por ter admitido que cometeu assassínios

Pool Getty Images

Dois senadores filipinos consideram que as declarações proferidas esta semana por Rodrigo Duterte podem servir de base para a instauração de um processo para o seu afastamento

As declarações do Presidente filipino Rodrigo Duterte em que admitiu ter matado “pessoalmente” supostos criminosos enquanto foi autarca de Davao podem servir de base para a instauração de um processo para a sua destituição, segundo consideraram dois senadores do país.

“Isso é traição da confiança pública e isso constitui um crime grave pois assassínios em massa seguramente que se enquadram na categoria de crimes graves. E crimes graves servem de base para destituição segundo a nossa constituição”, afirmou a senadora Leila de Lima à CNN.

Durante um encontro com empresários filipinos na segunda-feira, Duterte disse que cerca de um terço dos seis mil suspeitos de ligação ao uso e venda de drogas mortos no país foram eliminados em operações policiais legítimas. E acrescentou que, em tempos, ele próprio matou supostos criminosos para encorajar esse tipo de atuação:

“Eu costumava fazê-lo pessoalmente. Apenas para mostrar-lhes (às forças policiais) que, se eu posso, porque não podem vocês?” (…) Eu percorria Davao numa grande moto e ia apenas patrulhando as ruas à procura de distúrbios. Na verdade, eu estava mesmo à procura de um encontro para matar”.

“Se eu tenho medo (e) vou parar por causa dos direitos humanos… lamento, mas não vou”, acrescentou, referindo-se à sua guerra contra a droga, incitando os seus críticos a tentarem afastá-lo da presidência do país.

“Quando ele diz, que se está a disponibilizar (para poder ser afastado), qual é a forma legal de o fazer?! Avancem e destituam-no”, afirmou por seu turno o senador Richard Gordon, responsável pelo comité do senado para a justiça.

A hipótese do seu afastamento por essa via é um cenário que parece, contudo, afastado uma vez que dos 293 deputados da câmara baixa do congresso apenas 50 são da oposição e seriam necessários os votos de dois terços para a aprovação da destituição.