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Internacional

China poderá ocupar Taiwan à força depois de Trump tomar posse

Getty Images

Jornal do governo chinês diz que Pequim deve estar preparada para fazer incursão militar na ilha perante a controversa chamada do Presidente eleito dos EUA com a líder taiwanesa, inédita em décadas nas relações sino-americanas

A China deve ter preparados planos para tomar Taiwan à força e fazer uma incursão militar rápida na ilha assim que Donald Trump tomar posse como Presidente dos Estados Unidos a 20 de janeiro. A declaração surge no editorial desta quinta-feira do jornal "Global Times", controlado pelo Partido Comunista Chinês, na sequência do telefonema de Trump com a líder de Taiwan que quebrou décadas de protocolo diplomático nas relações sino-americanas e que deixou Pequim irada.

Antes de ter falado com Tsai Ing-wen ao telefone — uma chamada que, segundo fontes da equipa do Presidente eleito, estava programada há vários meses, ainda antes de este ter conseguido a nomeação republicana — Trump já tinha posto em causa a longa tradição de política externa dos EUA, que desde 1979 estão comprometidos com a chamada política de "uma só China" e que, por causa disso, não mantêm relações diplomáticas com Taiwan. A conversa foi o primeiro contacto direto em quase quatro décadas de um líder norte-americano com um dirigente político da ilha que a China diz ser parte do seu território.

Na semana passada, o "Global Times", que muitas vezes reflete as visões e ideais do partido no poder, tinha avisado que será "inevitável que as relações sino-americanas venham a testemunhar mais problemas quando Trump chegar à Casa Branca" e que, por essa razão, as autoridades chinesas devem estar preparadas para contra-atacar. "Independentemente do que Trump pensa, a China tem de estar empenhada em criar obstáculos aos seus pedidos nada razoáveis assim que ele tome posse e em contra-atacar se as suas decisões ameaçarem os interesses da China, sem olhar às consequências disso na dinâmica da relação sino-americana", lia-se nesse editorial.

Esta quinta-feira, o jornal voltou a sublinhar que Pequim deve "preparar-se cuidadosamente" para "fazer uso da força" caso os seus interesses sejam postos em causa. "A China continental deve deixar claro o seu empenho em recuperar Taiwan à força." Se a ilha declarar a sua independência unilateralmente, é ainda referido, "a China continental pode, em muito pouco tempo, puni-la militarmente. O statu quo militar em todo o estreito de Taiwan deve ser reformulado como resposta e castigo à atual administração [de Tsai]."

Entre as sugestões apresentadas pelo jornal para manter Taiwan na linha contam-se apontar mais mísseis à ilha para ganhar alavancagem em potenciais negociações. "Se a China continental não aumentar a pressão para termos a reunificação pelo recurso à força, as hipóteses de uma unificação pacífica irão dissipar-se. A paz não pertence aos cobardes."