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Internacional

Retirada de rebeldes e civis de Alepo ainda não começou

STRINGER

Autocarros do regime sírio que entraram no leste da cidade, para transferir opositores de Assad para áreas do norte controladas pela rebelião, ainda não partiram para o destino

A planeada evacuação do leste de Alepo e a retirada de civis e combatentes rebeldes da área devastada para zonas do norte sob controlo da oposição a Bashar al-Assad está atrasada.

De acordo com a BBC citando informações do terreno, os autocarros do governo sírio enviados para o leste já entraram na zona mas ainda nenhum saiu, alegadamente porque o regime estará a exigir a retirada simultânea das suas tropas feridas para as áreas mais próximas ainda sob controlo dos rebeldes.

Os planos de evacuação deveriam ter começado às 5h locais (3h da manhã em Lisboa), mas várias horas depois a frota de autocarros do governo ainda não tinha saído do sítio. Na terça-feira, as tropas do governo e os rebeldes chegaram a um acordo de cessar-fogo imediato, que segundo duas fontes rebeldes à Reuters esteve a ser cumprido ao longo da madrugada desta quarta-feira, apesar dos atrasos na evacuação.

O leste de Alepo está sob controlo dos rebeldes anti-Assad desde 2012, mas nas últimas semanas estes foram sendo empurrados pela ofensiva do governo para uma faixa de território cada vez mais pequena. O acordo de trégua foi alcançado esta vterça-feira pela Rússia e a Turquia, perante notícias de que a parte oriental da cidade, a mais populosa da Síria antes de a guerra ter estalado em março de 2011, estava prestes a ser totalmente recapturada pelo governo.

Sob esse acordo, os civis e rebeldes serão retirados do leste da cidade sitiada para outras áreas do norte ainda sob controlo da oposição a Assad. Inicialmente, apenas a Turquia tinha garantido que assim seria, com a Rússia a dizer que os civis podem ficar ou ser levados para as áreas de Alepo controladas pelo governo sírio porque "ninguém lhes vai fazer mal".

"Os civis, esses, podem ficar, podem ir para locais seguros, podem tirar proveito dos acordos humanitários que há no terreno", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin. "Ninguém vai fazer mal aos civis", garantiu. Horas depois, confirmava numa reunião do Conselho de Segurança que Alepo já está dominada pelo regime sírio. "De acordo com as últimas informações que recebemos na última hora, as ações militares no leste de Alepo terminaram", informou.

Os media estatais avançaram ainda na noite desta terça-feira que os planos de evacuação do leste passavam por transportar os rebeldes até à passagem de Ramouseh e depois para as áreas sob controlo dos rebeldes na província de Idlib. A ONU diz que "não está envolvida" nesses planos mas que está "preparada para facilitar a retirada voluntária e segura de feridos, doentes e civis vulneráveis da parte da cidade sob cerco".

O seu enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura, exige acesso imediato à zona para supervisionar as operações de retirada, sob um acordo que foi alcançado perante notícias de execuções sumárias de civis pelas tropas leais a Assad. A organização diz ter provas fidedignas de que 82 civis foram mortos em quatro áreas, para além de suspeitas de que muitos mais perderam a vida.

A par disso, a Cruz Vermelha e outras organizações alertaram para o facto de haver pelo menos 100 crianças presas, sozinhas, num edifício a ser duramente bombardeado e atacado pela força aérea russa, para além das mensagens de vídeo que muitos civis e ativistas que resistem no leste de Alepo têm publicado online em modo de despedida.

A reconquista de Alepo pelas forças do governo e a derrota dos rebeldes que estavam há quatro anos a aguentar aquele enclave no leste da segunda maior cidade da Síria representa uma enorme vitória moral para o governo de Assad, que na prática controla agora todos os grandes centros populacionais do país.