Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

EUA reduzem venda de armas à Arábia Saudita por causa da guerra no Iémen

MOHAMMED HUWAIS

Fonte do Pentágono diz que armas de precisão vão deixar de ser enviadas ao reino saudita perante “falhas” nos ataques aéreos da coligação liderada por Riade, que tem mantido vastas faixas do território iemenita debaixo de fogo desde março de 2015, matando milhares de civis

A administração de Barack Obama vai limitar a venda de armas à Arábia Saudita dadas as preocupações com o elevado número de baixas civis nos ataques aéreos da coligação liderada pelo reino, que tem mantido várias cidades e aldeias do Iémen sob fogo desde março de 2015.

De acordo com uma fonte do Pentágono, citada pela BBC, os sauditas vão deixar de receber armas de precisão pelo que o ainda Presidente dos EUA diz serem “falhas” na forma como a campanha aérea está a ser conduzida no Iémen. Horas depois de essa informação ter sido avançada, Ned Price, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, avisou que a cooperação militar EUA-Arábia Saudita “não é um cheque em branco” para o reino saudita.

Apesar do corte no fornecimento de algum tipo de armas, os EUA dizem que vão continuar a apoiar os sauditas com informações das secretas focadas na segurança das fronteiras e com o treino de pilotos envolvidos na campanha aérea sempre que possível, diz a fonte do Pentágono.

Em outubro, mais de 140 pessoas morreram num ataque aéreo que atingiu um funeral e esse não foi o primeiro caso, na sua maioria atribuídos à coligação liderada pelos sauditas, que está a tentar ajudar o Governo eleito contra os rebeldes hutis apoiados pelo Irão.

Milhares de civis já morreram desde o início da guerra civil há dois anos e quase três milhões de pessoas estão deslocadas internamente no território iemenita, numa altura em que a fome, a falta de água potável e de saneamento e os ataques aéreos matam cada vez mais num país que, antes do conflito, já era um dos mais pobres da região. Ontem, a Unicef alertou que no Iémen há seis crianças a morrer por hora de doenças já erradicadas noutras zonas do planeta, infeções respiratórias e subnutrição.

Os rebeldes hutis tomaram a capital iemenita, Sana, em 2014, forçando o Governo de Abdrabbuh Mansour Hadi a fugir. Desde então, alguns ministros já regressaram à cidade de Aden. A Arábia Saudita, que é acusada de transformar um conflito civil numa guerra regional sectária, continua a desmentir estar a matar indiscriminadamente e em elevados números e garante que faz tudo ao seu alcance para evitar atingir civis.