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Condição imposta pelo Irão terá inviabilizado evacuação de Alepo, combates estão de volta

GEORGE OURFALIAN/GETTY

Civis e guerrilheiros não chegaram a conseguir abandonar o leste de Alepo esta quarta-feira. A trégua foi quebrada, dando lugar ao regresso de intensos combates e bombardeamentos à cidade síria

A nova condição imposta pelo Irão, apoiante do regime de Bashar al-Assad e das milícias que estão a liderar os combates pela conquista de leste de Alepo, terá inviabilizado a concretização do plano de evacuação de civis e combatentes rebeldes, tendo entretanto as tréguas sido quebradas e os intensos combates e bombardeamentos regressado à cidade síria.

O Irão pretendia que as saídas de Alepo ocorressem com a deslocação simultânea de combatentes pró-regime sírio feridos das aldeias Foua e Kefraya, que se encontram sitiadas pelos rebeldes, segundo indicaram fontes dos rebeldes e das Nações Unidas à agência Reuters.

A evacuação devia ter começado às 5h da madrugada desta quarta-feira (3h em Lisboa). Os autocarros chegaram a concentrar-se no leste de Alepo nos pontos da evacuação, que não chegou a concretizar-se. Em vez disso, voltaram os combates.

“Os combates são violentos e o bombardeamento muito forte… parece que tudo (o cessar-fogo) terminou”, relatou Rami Abdulrahman, diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, citado pela BBC.

A Rússia, também aliada de Bashar al-Assad e que tem efetuado bombardeamentos contra os opositores ao regime sírio, disse que as forças governamentais só retomaram os combates após terem sido atacadas pelos rebeldes. Por seu turno, o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, que apoia os rebeldes, disse que foram as forças sírias a quebrar o cessar-fogo.

Erdogan deverá debater a situação esta quarta-feira com o seu homólogo russo,Vladimir Putin, segundo indicou o Kremlin.

O leste de Alepo é controlado pelos rebeldes desde 2012, mas ao longo dos últimos meses sua área ficou cada vez mais limitada, face ao avanço do exército sírio e de milícias apoiadas pelo Irão, que têm contado com o apoio de ataques aéreos da aviação russa.

O cessar-fogo para a evacuação da cidade ocorreu na altura em que o exercício sírio está prestes a retomar o controlo total e em que surgem relatos de atrocidades.

A ONU indicou na terça-feira que antes do cessar-fogo as forças que apoiam o regime sírio terão executado pelo menos 82 civis, incluindo 11 mulheres e 13 crianças, “provavelmente nas últimas 48 horas” em quatro bairros do leste de Alepo que recuperaram aos rebeldes.