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Venezuela encerra fronteira com a Colômbia para “destruir a máfia”

JUAN BARRETO / AFP / GETTY IMAGES

Medida estará em vigor nas próximas 72 horas para combater tráfico a preços inflacionados de produtos subsidiados pelo governo, como a gasolina e o diesel, e para impedir que membros de gangues troquem as notas de 100 bolívares, que estão a ser retiradas de circulação

As autoridades venezuelanas encerraram esta terça-feira a fronteira com a Colômbia por um prazo de 72 horas a contar da meia-noite local, naquela que é a última medida do governo de Nicolás Maduro para combater os gangues de tráfico que atuam nas zonas fronteiriças do país e que estão a ter um enorme e negativo impacto na economia do país, já profundamente abalada pela queda do preço do petróleo nos mercados mundiais. Muitos dos produtos que o governo socialista subsidia, como o diesel e a gasolina, estão a ser vendidos a preços exacerbados na fronteira com a Colômbia, garantindo enormes lucros aos que os traficam.

No domingo, Maduro tinha anunciado a retirada de circulação das notas de denominação mais alta do país, de 100 bolívares (quase 9,5€), num passo para impedir que os gangues criminosos acumulem a divisa. “Vamos destruir a máfia antes que as máfias destruam o nosso país e a nossa economia”, disse o Presidente num discurso transmitido na televisão nacional nessa noite. “Esta medida era inevitável, era necessária. As máfias vão acabar.”

Da última vez que a Venezuela encerrou as passagens fronteiriças para a Colômbia, em agosto de 2015, estas permaneceram assim até à sua reabertura parcial um ano depois. Ainda em 2015, o governo colombiano queixou-se de não ter sido consultado nem informado da decisão, mas os dois lados acabariam por alcançar um acordo para cooperar no combate ao crime organizado e ao tráfico ao longo dos 2200 quilómetros de fronteira partilhada.

Desta vez, Maduro garante que a fronteira será reaberta passadas 72 horas da aplicação da medida, ou seja, na manhã de sexta-feira, assim que todas as notas de 100 bolívares deixarem de estar válidas no território venezuelano. Dados do banco central do país sugerem que há mais de seis mil milhões de notas destas em circulação, o que representa quase metade do dinheiro em circulação. Os venezualnos terão dez dias para trocar as notas por moedas e por notas novas, de maior valor, mas apenas junto daquela instituição financeira e nenhuma outra.

Maduro garante que os gangues que atuam na fronteira têm mais de 300 mil milhões de bolívares em dinheiro corrente, na sua maioria em notas de 100 como as que agora serão anuladas. “Dei ordens para encerrar todas as possibilidades por terra, mar e ar, para que estas notas que estão no exterior não possam ser devolvidas e para que eles [mafiosos] fiquem presos com a sua fraude no estrangeiro”, disse o Presidente, referindo que há “armazéns inteiros cheios de notas de 100 bolívares [nas cidades colombianas de] Cucuta, Cartagena, Maicao e Buaramanga”.