Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Forças de Assad prestes a declarar vitória em Alepo

Getty

Observatório Sírio dos Direitos Humanos diz que regime já controla 90% do território do leste de Alepo, que estava sob controlo dos rebeldes há quatro anos e sitiado pelas forças de Damasco e seus aliados há alguns meses

Fontes no terreno em Alepo avançaram esta terça-feira que os rebeldes que lutam contra Bashar al-Assad estão prestes a perder a cidade para as forças sírias e as milícias apoiadas pelo Irão que têm estado a lutar ao seu lado pelo controlo da vasta maioria do território no leste da cidade, dominado pela rebelião anti-Assad há quatro anos e sitiado pelo exército sírio há alguns meses.

À vista está uma crucial vitória para Assad e a Rússia numa guerra de cinco anos e meio consecutivos que já provocou dezenas de milhares de mortos e milhões de refugiados e deslocados, perante acusações da ONU de “atrocidades” cometidas pelo regime nos últimos enclaves do leste de Alepo controlados pelos rebeldes.

Fonte militar síria disse à Reuters que o exército de Assad e as forças aliadas estão “nos últimos momentos antes de declarar vitória” em Alepo, após as defesas rebeldes terem colapsado na segunda-feira à noite, deixando os insurgentes limitados a um pequeno enclave sob fortes bombardeamentos, que continuam sem tréguas.

“A batalha no leste de Alepo deve acabar rapidamente”, disse o tenente general Zaid al-Saleh, líder do comité de segurança governamental de Alepo, aos jornalistas no distrito de Sheikh Saeed assim que este foi recapturado. As forças rebeldes “ou se rendem ou morrem”.

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou “graves preocupações” perante relatos de atrocidades cometidas contra um grande número de civis, incluindo mulheres e crianças. Todas as partes “têm a obrigação de proteger os civis e de respeitar a lei internacional humanitária e de direitos humanos”, disse o chefe da organização, prestes a ser substituído pelo português António Guterres. “Esta é particularmente a responsabilidade do Governo sírio e dos seus aliados”, referiu Ban.

Jan Egeland, conselheiro humanitário da ONU para a Síria, acrescentou que os governos sírio e russo devem ser responsabilizados por quaisquer atrocidades cometidas por milícias leais a Assad, como as que são apoiadas pelo Irão e que têm estado a batalhar no terreno lado a lado com o exército sírio. A situação no terreno foi descrita como “o dia do juízo final” por um residente de Alepo, Abdulkafi al-Hamdo, um professor que vive num dos distritos sitiados e que tem estado a documentar a destruição da cidade nos últimos meses.

Neste momento, o exército sírio diz já controlar 98% do leste de Alepo, onde os residentes dizem que enfrentam a morte se continuarem a ser sujeitos aos bombardeamentos sem trégua com artilharia pesada e aos ataques aéreos de caças, temendo a tortura e o desaparecimento forçado caso se entreguem às forças de Assad.

“Alepo está a ser completamente destruída e queimada”, diz Mohammad Abu Rajab, um médico a viver numa das áreas sob cerco das forças do regime, numa mensagem áudio citada pelo “The Guardian”. “Esta é a última chamada de emergência ao mundo. Salvem as vidas das crianças e das mulheres e dos idosos. Salvem-nos. Ninguém resta. Podem deixar de ouvir as nossas vozes depois disto. Esta é a última chamada, a última chamada a todas as pessoas livres deste mundo. Salvem a nossa cidade de Alepo.”

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, o regime já controla 90% do território da Alepo oriental após ter recapturado os bairros de Sheikh Saeed e Saliheen. Milhares de pessoas já fugiram das áreas controladas pelos rebeldes para a parte ocidental da cidade, controlada pelo regime, e outras tantas continuam encurraladas num pequeno enclave para onde as tropas sírias continuam a avançar.