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Internacional

18 anos de prisão para homem responsabilizado pela morte de 700 migrantes em naufrágio

ANTONIO PARRINELLO/REUTERS

Naufrágio ocorreu em 2015 e foi considerado o pior desastre no mar Mediterrâneo das últimas décadas

O tunisino Mohammed Ali Malek foi considerado culpado da morte de 700 migrantes depois de um naufrágio no mar Mediterrâneo. Esta terça-feira, o tribunal da cidade de Catania, em Itália, condenou-o a uma pena de 18 anos de prisão por homicídio e tráfico humano.

O desastre ocorreu na costa da Líbia a 18 de abril do ano passado, quando um barco de pesca sobrelotado colidiu com o navio português King Jacob, que tentava auxiliar os refugiados. Em tribunal, Malek negou ser o capitão da embarcação onde seguiam os migrantes e assegurou que tinha comprado a passagem como todos os outros passageiros, mas o tribunal refutou a sua declaração depois de ouvir os depoimentos de outros sobreviventes.

Do desastre resultaram sete centenas de vítimas mortais, incluindo crianças pequenas, que provinham de países como Mali, Senegal, Etiópia, Algéria, Somália, Gana, Bangladeche, Egito e Zâmbia, escreve a Reuters.

Apenas 28 pessoas conseguiram sobreviver, entre as quais Malek e Bikhit Mahmud, um sírio que ajudava Malek, também condenado pelo mesmo tribunal italiano a cinco anos de prisão. Ambos foram ainda condenados a pagar uma indemnização aos sobreviventes, no valor de nove milhões de euros.

De acordo com o depoimento dos sobreviventes, escreve o jornal britânico “The Guardian”, quando a embarcação sobrelotada, depois de partir da Líbia, atingiu águas internacionais, Malek ligou para a polícia costeira italiana, que entrou em contacto com o navio português para que este ajudasse, visto encontrar-se perto do local.

O capitão do navio garantiu aos procuradores que terá tentado evitar a colisão, quando as duas embarcações se aproximaram. As testemunhas afirmam que Malek, perante a aproximação do navio, provocou a colisão com a embarcação portuguesa, que levou ao afundamento do pequeno barco em questão de minutos.

Todos os sobreviventes foram transportados para Itália. À chegada, Malek ficou sob custódia italiana. O tunisino negou ser culpado e, em declarações à BBC, referiu que o naufrágio foi causado por várias ondas que o navio originou quando se aproximava. “Estou em Itália há dois anos e meio e já tenho um filho com uma mulher italiana. Quero-me casar com ela e ficar com o meu filho. É a verdade”, disse Malek aos procuradores, citado pelo “The Guardian”.

Numa declaração divulgada depois da sentença, escreve o diário britânico, os procuradores explicaram que foram estabelecidos dois princípios legais importantes: o primeiro, que os contrabandistas que procedem ao tráfico humano em águas internacionais podem ser acusados de crime se pedirem para ser salvos; o segundo, que os migrantes salvos são considerados vítimas e não culpados por imigração ilegal.

Numa reunião de emergência em Bruxelas que ocorreu dias depois do incidente, vários países da UE concordaram em enviar mais ajuda para tentar prevenir este tipo de acidentes.

No entanto, os esforços reunidos não foram suficientes para acabar com a mortalidade no Mediterrâneo. Só este ano, 4700 pessoas perderam a vida ao tentar chegar à Europa vindas de África e do Médio Oriente, configurando, por isso, o ano mais mortal dos registos.