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Venezuela retira quase metade do dinheiro em circulação 

A súbita retirada de circulação, até quarta-feira, das notas de 100 bolívares foi anunciada pelo Presidente Nicolás Maduro em nome do combate à suposta atuação de máfias colombianas que, alegadamente, armazenam as notas para desestabilizarem a economia do país

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

A partir desta quarta-feira, os venezuelanos vão deixar de poder usar as notas 100 bolívares nas transações vulgares, segundo anunciou inesperadamente o Presidente Nicolás Maduro, falando este domingo na televisão.

Apesar de 100 bolívares não darem para mais do que comprar um doce, essas notas são as de valor mais elevado, correspondendo a 48% do dinheiro em circulação. Os venezuelanos terão 10 dias para trocar as notas nas instituições bancárias.

A retirada de circulação foi anunciada durante o programa “Em Contacto com Maduro”, tendo sido justificada pelo Presidente venezuelano em nome do combate à suposta atuação de máfias colombianas, acusadas de armazenarem as notas em armazéns para desestabilizarem a economia do país.

Maduro diz que uma exaustiva investigação descobriu que há armazéns não apenas em várias cidades da Colômbia, mas também no Brasil, Alemanha, República Checa e Ucrânia, onde as máfias estariam a acumular estas notas. Esse plano contra o moeda venezuelana estará a ser executado por uma organização não-governamental “contratada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos”.

A inflação na Venezuela é estimada em 500% e tem levado a que em qualquer compra sem recurso a cartões de crédito ou de multibanco seja necessária uma enorme quantidade de notas. As caixas de multibanco apresentaram recentemente problemas, obrigando os venezuelanos a pagarem as suas compras através de transferências bancárias.

A retirada súbita das notas de 100 bolívares faz antever uma situação caótica nas transações comerciais no país, à imagem do que sucedeu recentemente na Índia, onde as notas de valores mais altos, correspondentes a 86% do dinheiro em circulação, foram retiradas em menos de 24 horas. Semanas depois da sua retirada em novembro, ainda persistiam na Índia as filas para as caixas multibanco, que rápida e repetidamente acabavam por ficar sem notas disponíveis.

A Venezuela tenciona introduzir de forma progressiva, a partir desta quinta-feira, novas moedas e notas, cujo valor mais baixo será de 500 bolívares e o mais elevado de 20.000 – esta últimas correspondendo a cerca de cinco dólares (4,73 euros), segundo a cotização da moeda venezuelana no mercado negro.