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Trump deve escolher outro homem do petróleo para a sua equipa. Agora para secretário de Estado 

ERIC PIERMONT / AFP / Getty Images

Rex Tillerson, de 64 anos, é presidente-executivo da petrolífera ExxonMobil desde 2006. É apoiante do Acordo de Paris e de uma taxa de carbono, mas é pelas boas relações com a Rússia que Trump o terá colocado à frente de outros candidatos

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Rex Tillerson, o CEO da ExxonMobil, uma das maiores petrolíferas dos EUA, pode vir a ser o secretário de Estado da Administração do Presidente eleito Donald Trump, ou seja, o mais alto responsável pela diplomacia do país.

A notícia foi avançada pela NBC News, citando duas fontes próximas da equipa que está a escolher os nomes para o novo Governo de Trump. E foi ainda confirmada pela Reuters, que cita também uma fonte próxima do processo, e acrescenta ainda que Tillerson se reuniu, durante mais de duas horas com Trump no passado sábado e já se tinha encontrado com o Presidente eleito noutra ocasião.

Contudo, todas estas fontes alertam que ainda nada está decido e que não foi feito nenhum convite formal. Aliás, depois da notícia ter sido publicada este domingo, Trump fez um comentário no Twitter.

“Quer eu o escolha quer não, Rex Tillerson, o presidente e CEO da ExxonMobil, é um negociador e player de classe mundial”, escreveu, acrescentando ainda uma expressão muito usada na televisão e rádio: “Stay tuned” (fiquem atentos).

Além disso, numa entrevista à Fox News este domingo, Trump teceu vários elogios ao CEO da ExxonMobil. “É muito mais que um executivo. Ele está à frente de uma petrolífera que é praticamente o dobro do tamanho da sua concorrente mais próxima. É uma empresa que tem sido gerida de uma inimaginável”, disse.

Rex Tillerson está na ExxonMobil desde 1975 e é CEO desde 2006, ou seja, há 10 anos, e terá de sair para o ano porque, aos 64 anos, atingiu o limite de idade para continuar neste cargo.

Segundo o Wall Street Journal, é precisamente por Tillerson ser um gestor e não um político que está mais bem posicionado que os restantes candidatos ao cargo de chefe da diplomacia.

Além de Tillerson, na lista estão outros nomes de peso como Mitt Romney (candidato republicano à presidência em 2012), Alan Mullally (ex CEO da Ford) ou David Petraeus (ex diretor da CIA). Também Rudy Giulliani, o antigo presidente da Câmara de Nova Iorque, foi considerado uma hipótese, mas que foi oficialmente retirada na sexta-feira.

Mas há outro factor que parece estar a pesar na decisão e que é a ligação de Tillerman à Rússia. “Para mim, a grande vantagem é que ele conhece muitos dos players e conhece-os bem. Ele faz negócios gigantescos na Rússia”, disse Trump na mesma entrevista à Fox News.

Um deles foi fechado em 2011 com a maior petrolífera russa, a Rosneft, e tinha como objetivo o desenvolvimento de projetos de exploração de petróleo em conjunto, avança a Reuters, que diz que desde essa data já estão a fazer 10 projetos em conjunto. Além disso, ainda dentro deste mesmo acordo, as duas empresas anunciaram que tinham planos para começar a procurar petróleo no Ártico, um processo que os EUA não apreciaram e ameaçam com sanções.

O reconhecimento de Tillerman é tanto que o presidente russo, Vladimir Putin, o distinguiu com uma das maiores honras civis do país, a Ordem da Amizade.

Mais uma polémica

É precisamente esta ligação à Rússia que está a gerar polémica na possível escolha de Tillerman para o importante cargo de secretário de Estado.

Isto porque, no sábado, o Washington Post divulgou que a CIA concluiu que a Rússia tinha realizado ataques informáticos aos democratas para ajudar Trump a ser eleito presidente. Uma notícia que Trump não aceitou e diz mesmo ser “rídicula”.

Menos uma polémica

A vantagem deste candidato no que respeita a possíveis polémicas é que, apesar de ser CEO de uma petrolífera e de trabalhar lá desde 1975, Tillerman acredita que as alterações climáticas são provocados pelas ações humanas. Uma característica que a Reuters nota ser quase única nas pessoas escolhidas até agora por Trump.

Aliás, logo após a eleição de Trump, a ExxonMobil anunciou oficialmente que era favor do acordo de Paris e de uma taxa de carbono como forma de diminuir as emissões de gases com efeitos de estufa.

Mas, há um senão. A ExxonMobil está a ser investigada pelo procurador-geral de Nova Iorque por alegadamente ter enganado os investidores, os reguladores e o público em geral sobre as informações que tinha acerca do aquecimento global.

Nem de propósito, o advogado da petrolífera neste caso é Scott Pruitt, o procurador-geral do estado do Oklahoma, que diz não ter a certeza de que as alterações climáticas são provocadas pela a ação do homem, mas que, ainda assim, foi o nome indicado por Trump para liderar a Agência do Ambiente.