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Odebrecht faz tremer presidência do Brasil e o PMDB

ADRIANO MACHADO/REUTERS

Nova denúncia da construtora atingiu Michel Temer e o núcleo duro do PMDB em vésperas da votação do pacote de austeridade e da reforma da Segurança Social. São esperadas ainda mais 75 "delações".

A dez dias do início das férias parlamentares e com receio de novas denúncias da construtora Odebrecht senadores e deputados preparam-se para aprovar já amanhã duas das mais importantes propostas políticas do Governo Temer: o pacote de austeridade e a reforma da Segurança Social.

Fragilizado com a demissão de seis ministros em sete meses de governo, Michel Temer tem razões para estar apreensivo, sobretudo depois de uma fuga de informação sobre a “delação premiada” do ex-presidente de Relações Internacionais da Odebrecht ter feito a primeira página dos jornais brasileiros durante o fim de semana.

Apesar da denúncia ainda não ter sido homologada pelo Supremo Tribunal, Cláudio Melo Filho revelou às autoridades que a Odebrecht pagou pelo menos 88 milhões de reais (cerca de 25 milhões de euros) para financiar quase meia centena de políticos. O valor engloba desde doações legais a pagamentos por “saco azul” e subornos feitos entre 2006 e 2014. Ao receber um total de 51,1 milhões de reais, dos quais 45,1 milhões via “caixa 2” (a designação brasileira para saco azul), o PMDB de Michel Temer foi o principal beneficiado. Mais do que o dobro atribuído ao PT, 22,8 milhões e 9,7 milhões de reais.

Temer, Renan e Jucá

Mas mais importante do que os valores, são os nomes citados pelo ex-executivo. Além de acusar Michel Temer de ter recebido ilegalmente 10 milhões de reais (2,8 milhões de euros) para a sua campanha de 2014, as revelações atingem também as principais figuras do PMDB. Para obter benefícios na legislação aprovada pelo Senado, a Odebrecht teria na lista de pagamentos o próprio presidente, Renan Calheiros e o senador e ex-ministro de Temer, Romero Jucá.

No rol, surgem ainda os nomes do ex-ministro Geddel de Lima -forçado a demitir-se há duas semanas – ou os ainda ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira franco (Privatizações), entre outras figuras de primeiro plano do PMDB.

Lula continua a vencer à primeira volta

Michel Temer poderá não ser julgado pelas denúncias, pois a lei brasileira só admite julgar um presidente por factos ocorridos durante o seu mandato. Para já, a maior preocupação do Planalto é a onda de contestação que a denúncia pode provocar, com a generalidade dos analistas a salientarem que ainda faltam os depoiamentos de 75 executivos da Odebrecht, entre os quais o do seu presidente, Marcelo Odebrecht e de seu pai, Emílio.

O tempo para a convocação de novas eleições por escrutínio popular é cada vez mais escasso. “Michel Temer tem 19 dias para renunciar” salienta hoje o jornal on-line “Os Divergentes”. Se o presidente não se demitir até ao final de dezembro, a lei brasileira estipula que a sua substituição não poderá ser feita por voto direto, ficando nas mãos do Congresso a escolha de um substituto.

Ironicamentente, Lula da Silva continua a liderar as sondagens para a primeira volta das eleições de 2018. Apesar do desgaste, o “Datafolha” publicou hoje as primeiras sondagens desde setembro que, apesar do desgaste, dão a vitória do líder do PT em todos os cenários, sendo apenas derrotado por Marina Silva, numa eventual segunda volta. Os esperados candidatos do PSDB como Aécio Neves ou Geraldo Alkmin ou mesmo José Serra do PMDB são derrotados em todos o cenários.