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“Ninguém nos alertou para a falta de combustível”, diz jornalista que sobreviveu à queda do avião

Duas semanas após o trágico acidente na Colômbia, Rafael Henzel prepara-se para regressar ao Brasil. O jornalista diz que não houve gritos, mas sim um “silêncio aterrador” quando se apagaram as luzes pouco antes do avião cair

“Só por um milagre de Deus posso hoje falar desta tragédia tão dolorosa”, afirmou esta segunda-feira o jornalista Rafael Henzel, um dos sobreviventes do avião que se despenhou há duas semanas na Colômbia.

Aos 43 anos, o jornalista da Radio Oeste Capital prepara-se para regressar ao Brasil para recuperar em casa de setes costelas partidas e de uma pneumonia, na sequência do acidente. Nas primeiras declarações à imprensa, Rafael Henzel disse desejar voltar em breve a Chapecó para continuar a recuperação e retomar a sua atividade profissional.

Desta experiência tão traumática, o jornalista disse que não se recorda de todos os pormenores e que só acordou cerca de sete horas depois de o avião se despenhar, quando estava a passar no local uma equipa de resgate. “Não me lembro da queda do avião. Acordei preso a duas árvores e vi dois colegas que estavam sentados ao pé de mim e que infelizmente faleceram”.

Confrontado com os primeiros dados que apontam para a falta de combustível no aparelho, Rafael Henzel garante que nenhum elemento da tripulação mencionou esse problema. “Ninguém nos alertou para a falta de combustível. Ninguém nos disse para colocarmos os cintos de segurança e que havia um problema grave no avião”, explicou o jornalista, sublinhando que não foi dado nenhum alerta durante o voo.

Refere ainda que perante a demora da viagem, vários passageiros perguntaram à tripulação quanto tempo faltava para aterrar. E que a resposta sempre a mesma: “10 minutos”. De repente, recorda, desligaram-se as luzes e os motores e instalou-se no avião um “silêncio aterrador.” “Lembro-me que não houve gritos, mas percebia-se uma aflição muito grande até ao observar a hospedeira que sobreviveu”, acrescenta.

Quando acordou depois do acidente, Rafael conta que pensou ainda em sair a pé do local mas que constatou logo que era impossível, uma vez que se encontrava na parte mais alta da montanha, próximo de Medellín. “Para me colocar a salvo era muito difícil pois a montanha era muito íngreme. Demorei ainda 40 minutos até chegar ao hospital”, recorda.

O jornalista não deixou também de agradecer o apoio que tem recebido do Brasil e da Colômbia e, sobretudo, da equipa médica que o tem acompanhado no Hospital de Rio Negro. Além de Rafael Hezel também os jogadores Alan Ruschel e Jackson Follmann receberam a autorização dos médicos para regressarem para o Brasil.