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Era capaz de viver nesta cidade?

Getty

A conquista de Alepo, na Síria, pelas forças leais ao Presidente Bashar al-Assad estará para breve. Ao certo ninguém sabe quantos são, mas milhares de civis lutam diariamente para sobreviver aos derradeiros combates

Rendição ou morte. Eis o ultimato lançado esta segunda-feira por um general do Exército sírio aos grupos de rebeldes a leste de Alepo, que ainda resistem ao controlo absoluto da cidade por parte das forças governamentais apoiadas pela aviação russa.

À mercê do fogo cruzado, milhares de civis vivem por estes dias à beira do abismo. “É apenas uma questão de tempo até ao colapso total”, afirma Rami Abdel Rahman, do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma ONG com sede em Londres. “As famílias reúnem-se e esperam pela hora da morte juntas”, disse a um jornalista do “The Independent” um ativista em Alepo.

Entre avanços e recuos, as últimas notícias dão conta da retirada de 8000 rebeldes – entre os quais estarão um número indeterminado de membros da Al-Qaeda – e 250.000 civis, dos quais dez a 13 mil fugiram nas últimas 24 horas. Muitos terão fugido para território controlado pelos curdos. Quantos? Ao certo ninguém sabe.

De volta a Alepo, fontes do Exército sírio dizem que já controlam 98% da cidade e que o resto está para breve. Muito breve. A zona industrial de Sheikh Saeed terá sido a última grande conquista das forças leais ao Presidente Bashar al-Assad.

Um jornalista da agência Reuters a viver em áreas já controladas pelas forças governamentais descreve os bombardeamentos a leste da cidade, durante esta madrugada, como “os mais intensos dos últimos tempos”. A campanha aérea russa, intensificada desde meados de novembro, terá feito centenas de vítimas civis e militares e destruído, entre outros alvos, diversos locais de assistência médica.

A confirmarem-se as informações avançadas esta segunda-feira, Bashar al-Assad está, pela primeira vez desde meados de 2012, prestes a alcançar uma importante vitória militar. Mas continuará a ter de enfrentar a oposição sunita no norte e no sul do país, onde a guerra civil dos últimos seis anos já terá morto, segundo as Nações Unidas, mais de 400 mil pessoas.