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Internacional

Diretora do FMI julgada por indemnização a apoiante de Sarkozy

CHARLES PLATIAU/REUTERS

Christine Lagarde começa hoje a ser julgada por uma indemização paga ao empresário Bernard Tapie, em 2008 quando era ministra das Finanças. Caso seja considerada culpada, a atual diretora do FMI poderá ser condenada a um ano de prisão

Christine Lagarde começou esta segunda-feira a ser julgada pelo papel que teve no pagamento pelo Estado francês de uma indemnização de 403 milhões de euros ao empresário Bernard Tapie, em 2008, quando era ministra das Finanças

A atual diretora do FMI é acusada de negligência pelo estabelecimento de um acordo extrajudicial, muito pouco comum, com o empresário apoiante do então Presidente Nicolas Sarkozy.

Se for considerada culpada poderá incorrer a uma pena de um ano de prisão e ao pagamento de uma multa de 15 mil euros.

Tapie solicitou a compensação estatal após ter vendido a sua quota da Adidas ao Credit Lyonnais em 1993.

Lagarde foi ministra das Finanças entre 2007 e 2011, antes de ter assumido a chefia do FMI, em sequência dos escândalos sexuais que envolveram o seu antecessor Dominique Strauss-Kahn. A condenação poderá ser afastá-la da direção do FMI, cargo para o qual foi releita este ano para um novo mandato de cinco anos.

“Ela está muito determinada a defender-se, passo por passo, ela irá apresentar-se em tribunal apesar da dimensão da sua função como diretora geral do FMI, mas ela estará lá para responder a perguntas, para se explicar, ela está verdadeiramente determinada e pronta para mostrar que estas acusações de negligências existem apenas nas mentes dos magistrados que investigam o caso”, afirmou anteriormente o seu advogado Maisonneuve, à agência Reuters.

Este é apenas o quinto caso a ir a julgamento no Tribunal de Justiça da República, um tribunal especial criado em 1993 destinado a processos que envolvam ministros.

No ano passado, um tribunal de recurso determinou que Tapie tem de devolver ao Estado francês a indemnização que recebera, mas o empresário, entretanto recorreu dessa decisão e o processo ainda se encontra pendente.