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Daesh aproveita combates em Alepo para reocupar Palmira

Daesh tomou Palmira em maio de 2015, mas foi expulso da cidade pelo Exército sírio há oito meses. Voltou agora a entrar na cidade

LOUAI BESHARA/GETTY IMAGES

Cidade antiga classificada como Património da Humanidade pela UNESCO volta a estar sob controlo do grupo terrorista, após um fim de semana de intensos ataques aéreos da Rússia para tentar afastar os jiadistas

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) recapturou a cidade síria de Palmira, horas depois de ataques aéreos das forças russas terem aparentemente forçado os militantes extremistas a baterem em retirada da cidade antiga.

Citado pela BBC, Talal Barazi, governador da província síria de Homs, disse que as forças do Governo sírio estão agora a preparar-se para uma nova ofensiva nos arredores da cidade, com o objetivo de impedir que o grupo radical volte instalar-se na cidade, de importância estratégica redobrada pela sua proximidade a campos de petróleo.

O Daesh ocupou Palmira entre maio de 2015 e março deste ano, mês em que foi forçado a abandonar a cidade. Correspondentes no terreno dizem que o grupo parece estar a tirar proveito do facto de as forças leais a Bashar al-Assad estarem concentradas em Alepo, a cidade mais a norte cuja parte leste está há dois anos sob controlo dos rebeldes que lutam contra o governo sírio desde março de 2011 – e onde, neste momento, há milhares de civis encurralados sem acesso a comida, água potável, medicamentos ou cuidados de saúde, sob bombardeamentos constantes das forças sírias e russas.

"O exército está a usar todos os meios disponíveis para impedir que os terroristas fiquem" em Palmira, diz Barazi. Ativistas na cidade dizem que, durante o fim de semana, os militantes do Daesh andaram porta a porta à procura de apoiantes de Assad, depois de no sábado terem conseguido reentrar na cidade antiga, classificada como património da humanidade pela Unesco.

No domingo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos avançou que os "intensos" bombardemantos de aviões russos tinham forçado o Daesh a bater em retirada para os arredores de Palmira, com o ministro da Defesa da Rússia a confirmar que foram executados 64 ataques aéreos durante a operação, que provocaram a morte a mais de 300 jiadistas. O exército sírio de Assad também enviou reforços para a cidade, no caso tropas a lutar em Alepo que foram redirecionadas para Palmira. O mesmo Observatório avançaria, horas depois, ao final de domingo, que o grupo radical conseguiu recapturar grandes partes da cidade, forçando as tropas do governo Assad a retirarem para sul.