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Internacional

Começou o julgamento do gangue que traficava arroz que fazia passar por cocaína

Os falsos traficantes são acusados de integrarem um grupo criminoso, tentativa de homicídio, roubo e posse de armas

Em dezembro de 2014, quando um possível comprador se recusou a entregar todo o dinheiro que tinha, foi alvejado duas vezes no abdómen. A sua entrada no hospital alertou a polícia que, desta forma, conseguiu apanhar um gangue que vendia ilegalmente arroz ao fazer passar por cocaína, em várias operações fictícias realizadas em Pontevedra, na Galiza. O grupo era constituído por seis homens que, à excepção de um, tinham já antecedentes criminais por tráfico de estupefacientes e posse de armas. A partir desta segunda-feira vão começar a ser julgados na Corunha.

O gangue agia com máscaras, luvas e armas de diferente calibre. Em Ponteareas, a polícia descobriu um arsenal de pistolas semiautomáticas e munições, que o grupo usava em várias operações, escreve o jornal espanhol “El País”. Atuavam há pelo menos um ano e a polícia seguia-lhes o rasto de norte a sul da Galiza.

A acusação pede para os detidos, que estão detidos, penas que vão desde os dez anos e nove meses até aos 26 anos e meio de prisão, escreve o diário espanhol. Solicita ainda a extradição de um dos membros, que se encontra em situação irregular em Espanha e a proibição de entrada no país por um período de cinco anos.

Era o líder do grupo que se encarregava de contactar com os traficantes e especificar a quantidade e preço da droga que lhes deveria entregar. “Deslocava-se em carro próprio por toda a Galiza, ao mesmo tempo que dava instruções aos outros acusados”, pode ler-se na sua acusação do Ministério Público.

“Dá-me tudo o que tens”

Em dezembro de 2014, o grupo planeava um assalto a um traficante, com quem teriam negócios. O chefe enviou dois elementos do gangue a casa do indivíduo, na localidade de Muxía, para fazerem supostas negociações. Encontraram-se em Santiago e pelo caminho pararam numa loja para comprar gorros e luvas que não permitissem a sua identificação.

Quando chegaram ao local, um deles saiu do carro, dirigiu-se à entrada da vivenda e gritou: “dá-me tudo o que tens”. Mas o suposto comprador recusou-se e o homem alvejou-o. A vítima também atirou sobre o agressor que, mesmo em fuga, ainda conseguiu realizar um segundo disparo sobre o comprador.

Com um mandato do tribunal de Ribeira, que também já investigava este gangue, a polícia conseguiu encontrar várias armas e munições numa casa, que serviram de prova para a detenção dos seis indivíduos.