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Ban Ki-moon.“Guterres é o timoneiro adequado para os caminhos ainda não percorridos”

LUCAS JACKSON/GETTY

No seu último discurso, o secretário-geral das Nações Unidas defendeu que é preciso continuar a “encarar o mundo com esperança” e reconhecer o valor das instituições internacionais. Disse ainda que é com confiança que passa o testemunho a António Guterres, um “homem íntegro” e “de princípios”

“O meu coração fica aqui. Ser secretário-geral da ONU foi de facto um grande privilégio, um privilégio de uma vida”, afirmou esta segunda-feira Ban Ki-moon no seu último discurso enquanto secretário-geral das Nações Unidas.

Ban Ki-moon manifestou-se profundamente sensibilizado pelas palavras que lhe prestaram durante a sessão plenária em que o seu sucessor irá prestar juramento sobre a carta da ONU. Afirmou ser uma “criança das Nações Unidas” e que ao longo dos dez anos que esteve à frente do organismo teve oportunidade de testemunhar o sofrimento de milhares de pessoas que fogem da pobreza, da guerra, ou de catástrofes e que lutam contra as desigualdades.

“Dia a dia, tijolo a tijolo, vamos construindo a paz, mas ainda há muito a fazer”, disse o secretário-geral da ONU, sublinhando que milhares de mulheres e crianças sofrem exploração e violência em todo o mundo.

“Embora todos os problemas pareçam inultrapassáveis, o derramamento de sangue não pode ser deixado de lado”, acrescentou.

Defendeu também que é preciso continuar a “encarar o mundo com esperança” e reconhecer o valor das instituições internacionais. “Foram as Nações Unidas que nos mostraram a solidariedade global. Enfrentámos os mais prementes desafios e abrimos portas como jamais havia sido feito antes para transformar o mundo. Apesar das dificuldades salvámos vidas e protegemos a vida de milhões. (...) Devemos continuar a fazer tudo o que for necessário para que as gerações vindouras não sejam deixadas para trás”, insistiu.

Mas disse que é com confiança que passa o testemunho a António Guterres, um “homem íntegro” e “de princípios”, com “paixão e compaixão”. “Guterres é o timoneiro adequado para percorrer os caminhos ainda não percorridos”, considerou.

Em relação ao futuro, Ban Ki-moon sustentou que é necessário promover o crescimento económico à escala global, desejando ainda “paz e prosperidade” às Nações Unidas. “Todos temos direito à vida, a um teto, a não ter medo”, concluiu o líder cessante da ONU.