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“António Guterres 
é uma escolha soberba”

António Guterres presta juramento como secretário-geral da ONU na segunda-feira

FOTO Brendan McDermid/REUTERS

O secretário-geral da ONU elogia a “visão apaixonada” e “liderança ativa” do seu sucessor, mas lembra que o espera um mundo de “insegurança e incerteza”

Ban Ki-moon é conhecido por ser parco em palavras e emoções, um comedimento que desaparece quando fala do sucessor. Em declarações ao Expresso, o secretário-geral das Nações Unidas Unidas (ONU) garantiu que António Guterres é um líder “bastante bem preparado para construir sobre a base de progresso conquistado até hoje e lidar com os enormes desafios globais”.

“António Guterres é uma escolha soberba para liderar a organização. Ele é uma mistura única de visão apaixonada com liderança ativa”, disse-nos o líder da ONU, na quarta-feira à tarde, altura em que aproveitou também para fazer um retrato da política internacional.

“Ele entrará nas Nações Unidas numa altura em que o mundo atravessa uma fase de enorme insegurança e incerteza, em que as divisões no seio da comunidade internacional feriram a capacidade da ONU para resolver diversos conflitos que até hoje geraram enorme sofrimento humano”.

Alarmado com o aumento do extremismo e da xenofobia, Ban Ki-moon não se esqueceu das vagas migratórias, um fenómeno ao qual Guterres dedicou os seus esforços nos últimos dez anos, enquanto alto comissário da ONU para os Refugiados. “Nunca como agora vimos tantas pessoas em fuga, procurando segurança ou melhores oportunidades para a sua família”.

Apesar deste cenário sombrio, o diplomata sul-coreano considerou que há “esperança e potencial”. Lembrou a forma como os líderes globais se uniram em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, “um mapa mundial para acabar com a pobreza até 2030”, em paralelo com a promoção de “sociedades pacíficas e de um planeta saudável”.
Sobre este último ponto, Ban Ki-moon recordou ao Expresso que o acordo de Paris entrou em vigor há poucas semanas e que tal prova, mais uma vez, que “a comunidade internacional se pode unir em prol do bem comum global”

Por tudo isto, ele não tem dúvidas: “O momento gerado pelos governos internacionais, sector privado e sociedade civil é imparável. Não há volta a dar. Desejo as maiores felicidades a António Guterres”.

Esta segunda-feira, na cidade de Nova Iorque, o antigo primeiro-ministro presta juramento sobre a Carta das Nações Unidas, numa cerimónia marcada para as 10h locais (15h em Lisboa), na sala da Assembleia Geral. A entrada em funções ocorre no próximo dia 1 de janeiro.

Apesar de recém-chegado à “Big Apple”, Guterres é um velho conhecido da elite política dos Estados Unidos, tal como constatou o Expresso numa série de entrevistas a antigos membros do Departamento de Estado e do Pentágono, todos eles fãs do perfil conhecedor e simpático de “Tony” (nome pelo qual o ex-líder socialista é conhecido nas terras do Tio Sam).

Num trabalho publicado no Expresso Diário, reputados políticos como Joseph Nye e Brian Atwood, antigos vice-secretários de Estado das Administrações Carter e Clinton, respetivamente, revelaram que, em Washington, há o consenso de que, embora as relações internacionais atravessem uma crise sem paralelo, Guterres é o homem mais bem preparado de sempre para liderar os destinos das Nações Unidas.

  • Os desafios de Tony

    António Guterres é sobejamente conhecido pela elite política dos Estados Unidos, que aprecia o perfil conhecedor e simpático de Tony, nome pelo qual o antigo primeiro-ministro é conhecido nas terras do Tio Sam. O Expresso entrevistou antigos governantes e diplomatas de Washington que garantem que, embora as relações internacionais atravessem uma crise sem paralelo, o ex-líder socialista português é o homem mais bem preparado de sempre para liderar os destinos das Nações Unidas, cuja carta vai jurar formal e oficialmente esta segunda-feira