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Turquia: Explosões junto ao estádio do Besiktas fazem dezenas de feridos e mortos

TOLGA BOZOGLU/EPA

Duas horas antes, o Besiktas tinha recebido o Bursaspor em casa. Meios de comunicação internacionais dão conta de pelo menos 13 vítimas mortais, na sua maioria polícias, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades. Ataque teve como alvo agentes da polícia. Explosão foi “muito forte e ouvida em vários pontos da cidade”, descreve José Pedro Tavares, correspondente do Expresso. Embaixadas foram avisadas ontem sobre o facto de estarem a ser planeados ataques nas grandes cidades turcas

Helena Bento

Jornalista

Duas explosões junto ao estádio do Besiktas, no centro de Istambul, feriram pelo menos 20 agentes da polícia, informou Suleyman Soylu, ministro do Interior turco, citado pela BBC. Vários meios de comunicação internacionais dão conta de pelo menos 13 vítimas mortais, na sua maioria polícias, mas esta informação ainda não foi confirmada pelas autoridades.

As primeiras indicações apontavam para a explosão de um carro armadilhado que tinha como alvo um grupo de polícias de intervenção, que se encontravam junto à saída do estádio pela qual os fãs do Bursaspor - contra quem o Besiktas jogara em casa duas horas antes - tinham saído.

O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan emitiu entretanto um comunicado em que confirma a existência de vítimas mortais resultantes das duas explosões - uma causada pelo tal carro armadilhado junto ao estádio da equipa turca e outra provocada por um bombista-suicida, no parque Maçka, nas proximidades do estádio - embora sem referir números. “Assistimos esta noite em Istambul à mais hedionda manifestação do terrorismo”, disse Erdogan, acrescentando que as explosões “tinham como objetivo causar o maior número possível de vítimas”. Ahmet Arslan, ministro dos Transportes da Turquia, acredita que as explosões foram “atos de terrorismo” (foi isso que escreveu na sua conta no Twitter).

Segundo informações veiculadas pelo canal turco privado NTV, o carro armadilhado tinha como alvo um autocarro da polícia que começava a afastar-se do estádio depois de os adeptos das equipas terem dispersado.

José Pedro Tavares, correspondente do Expresso em Ancara, diz ter falado com amigos que se encontravam em Istambul e que ouviram a explosão, tendo-a descrito como “muito forte”. “Foi ouvida em vários pontos da cidade. Eu próprio vi imagens da explosão e percebi logo que teria causado vítimas mortais e não apenas o número de feridos avançado inicialmente”.

O jornalista português diz que este ataque “não é inesperado”, uma vez que “ontem circularam avisos nas embaixadas, nomeadamente na embaixada portuguesa, sobre o facto de estarem a ser planeados ataques nas grandes cidades turcas”. “As pessoas foram aconselhadas a evitar eventos públicos ou locais muito movimentados”.

Duas testemunhas disseram à Reuters ter ouvido duas explosões junto ao Vodafone Arena, nome pelo qual se designa o estádio da equipa do Besiktas, onde jogam Ricardo Quaresma e o ex-jogador do Benfica Anderson Taliska. Um fotógrafo da mesma agência de notícias disse ter visto “vários polícias de intervenção gravemente feridos”.

“Parecia um inferno, com as chamas a subir pelos céus. Eu estava a beber chá num sítio perto da mesquita. As pessoas esconderam-se debaixo das mesas, as mulheres começaram a chorar. Alguns fãs de futebol que ali se encontravam também procuraram um sítio para se protegerem. Foi horrível”, disse Omer Yilmiz, que trabalha numa mesquita perto do estádio.

A polícia vedou as ruas nas imediações do estádio do Besiktas. Por enquanto, não há informações sobre a origem do ataque, mas suspeita-se que tenha sido cometido por separatistas curdos, tendo em conta as circunstância em que ocorreu e o alvo do ataque.

O Governo turco proibiu os meios de comunicação nacionais de divulgar informações sobre o sucedido, algo que, como explica José Pedro Tavares, “tem sido comum nos últimos dois anos devido aos ataques terroristas”. O procedimento não abrange os meios de comunicação internacionais.

Nos últimos anos têm-se registado muitos bombardeamentos na Turquia, alguns atribuídos a militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), outros da responsabilidade dos curdos e grupos de extrema-direita. Em junho, cerca de 45 pessoas morreram e centenas ficaram feridas num ataque levado a cabo por militantes do Daesh no aeroporto de Istambul.

[NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 23H50]