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Internacional

Japão lança para o espaço engenho para reduzir lixo espacial

Toneladas de detritos que orbitam a Terra provocam todos os anos centenas de colisões

Um cabo eletrodinâmico constituído por uma rede de arames finos de aço inoxidável e alumínio, com 700 metros de comprimento, é a proposta do Japão para resolver o problema dos detritos que orbitam em torno do planeta Terra e que poderão pôr em causa futuras missões espaciais. Para testar o novo engenho, os cientistas japoneses lançaram esta sexta-feira uma nave de carga espacial não-tripulada, que além do cabo também leva a bordo cerca de 4100 quilos de comida, água potável, roupa e diferentes equipamentos para a Estação Espacial Internacional.

Estima-se que mais de cem milhões de detritos estejam em órbita, segundo números da BBC, que se têm vindo a acumular desde o início da exploração espacial há quase 60 anos e que incluem equipamentos de velhos satélites e peças de foguetões. O novo sistema, concebido com a ajuda de uma empresa produtora de redes de pesca, terá como objetivo reduzir o volume de lixo espacial, retirando os detritos para fora de órbita.

Estes objetos, que já não têm qualquer utilidade, movem-se a grandes velocidades, sendo capazes de atingir 28 mil quilómetros por hora. Por essa razão, poderão vir a ser responsáveis por acidentes catastróficos e por danificarem a rede mundial de satélites de telecomunicações.

A nave de carga, designada “Kounotori”, que significa cegonha em japonês, foi lançada a partir do centro espacial da ilha de Tanegashima, no Oceano Pacífico, acoplada a um foguetão H-IIB, escreve a Lusa. Está prevista a sua chegada à Estação Espacial Internacional na próxima terça-feira.

A experiência integra uma iniciativa internacional que pretende tornar o espaço mais seguro para os astronautas. Também se espera que ajude na proteção das estações espaciais e dos satélites do clima e de telecomunicações que valem muitos milhões de dólares.

Um porta-voz da agência japonesa, citado pela Lusa, adiantou que a verificar-se eficaz, o sistema coletor de detritos pode vir a ser usado de forma regular durante meados da próxima década.