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Capacetes Brancos pedem proteção urgente perante avanços das tropas sírias

THAER MOHAMMED / Getty Images

"Se não forem retirados [de Alepo], os nossos voluntários vão enfrentar tortura e execuções nos centros de detenção do regime"

Os Capacetes Brancos da Síria, um grupo de voluntários que têm chamado a si a tarefa de socorrer as dezenas de vítimas diárias da guerra civil em curso há quase seis anos, pediram na quinta-feira às organizações internacionais de direitos humanos que protejam os seus membros no leste de Alepo, avisando que têm apenas 48 horas para fugir, à medida que as tropas sírias conquistam mais e mais território aos rebeldes da oposição.

"Se não formos retirados, os nossos voluntários vão ser torturados e executados nos centros de detenção do regime" de Bashar al-Assad, disse o grupo em comunicado. "Temos boas razões para temer pelas nossas vidas" perante os avanços do exército sírio, a par de milícias iranianas, nos distritos controlados há dois anos pelos rebeldes no leste da segunda maior cidade da Síria.

O pedido de emergência surgiu horas depois de Sergei Lavrov, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, ter anunciado que o Exército sírio vai suspender todas as operações militares na Alepo oriental para que os mais de oito mil residentes que continuam encurralados ali possam fugir em segurança. O chefe da diplomacia da Rússia, grande aliada de Bashar al-Assad, acrescentou que as autoridades do país e os norte-americanos vão discutir este fim-de-semana em Genebra documentos detalhados para tentar encontrar uma solução para a crise em Alepo e em toda a Síria.

Moscovo, voltou a sublinhar Lavrov, está empenhada em derrotar todos os "terroristas", a forma como o regime sírio e a Rússia classificam não só grupos extremistas como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a Al-Qaeda mas também os grupos da oposição ao Presidente Assad. No comunicado emitido esta sexta-feira pelos Capacetes Brancos, o grupo diz temer que os seus voluntários venham a ser "tratados como terroristas", enfrentando detenções e potenciais execuções pelas tropas do regime que continuam a avançar no leste de Alepo.

"Consideramos o Comité Internacional da Cruz Vermelha, as Nações Unidas e o Conselho de Segurança [da ONU] responsáveis pelas nossas vidas e pedimos-lhes que nos garantam passagem segura", lê-se no documento. Fontes ocidentais no terreno dizem haver indícios credíveis de que Alepo está a ser palco de detenções e execuções arbitrárias à medida que as tropas sírias avançam no terreno.

Os Capacetes Brancos (White Helmets) operam em todas as partes do território sírio sob controlo dos rebeldes anti-Assad, tendo angariado atenção e aplausos da comunidade internacional pelo seu trabalho para salvar as vítimas dos bombardeamentos. O regime de Assad diz que o grupo, que este ano integrou a lista de finalistas do Nobel da Paz e que subsiste graças a financiamento britânico, é um instrumento de propaganda do Ocidente. Os seus membros garantem que não têm qualquer filiação partidária e que querem apenas salvar vidas civis nas zonas de maior perigo.

O "The Guardian" nota que o pedido de ajuda urgente feito pelos Capacetes Brancos simboliza o iminente colapso da resistência no leste de Alepo, onde dois terços do território já foram recapturados pelas forças do regime sírio com o apoio de ataques aéreos da Rússia e onde pelo menos 100 mil civis continuam encurralados. Muitos deles continuam sem fugir pela ausência de rotas seguras.

Todos os acordos de cessar-fogo alcançados pela Rússia e pelos EUA em Genebra para Alepo colapsaram no passado, razão pela qual Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, disse esta quinta-feira que, apesar de a administração norte-americana receber com satisfação a "indicação [russa] de que algo positivo pode acontecer", os EUA "vão esperar para ver". "A nossa estratégia tem sido ouvir atentamente o que os russos dizem, mas escrutinar as suas ações."

Esta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU vai ouvir o enviado espcial para a Síria, Staffan de Mistura, numa sessão à porta fechada em Nova Iorque.