Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Síria: Cerca de 150 civis doentes retirados de Alepo

GEORGE OURFALIAN/GETTY IMAGES

Processo foi levado a cabo pela Cruz Vermelha poucas horas depois do exército sírio ter conseguido recuperar toda a parte velha da cidade. Organização pede agora uma pausa humanitária para levar mantimentos, mas não deverá ter sorte

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Cerca de 150 civis, a maioria deficientes ou com necessidades médicas urgentes, foram retirados de um hospital situado na parte velha de Alepo, uma das zonas resgatadas pelo exército sírio aos rebeldes na quarta-feira à noite, anunciou o Comité Internacional da Cruz Vermelha, citado pela Reuters.

De acordo com a Cruz Vernelha, estes pacientes estavam presos dentro deste hospital, que era antes um centro para idosos e foi convertido para acomodar pacientes com problemas mentais ou físicos, por causa dos combates recentes.

Aliás, tanto a Cruz Vermelha como a organização Crescente Vermelho Sírio estavam a tentar retirar estas pessoas do local já desde terça-feira, mas tiveram de adiar o processo por causa dos combates.

"Infelizmente, para alguns, foi tarde demais: 11 deles morreram (…). Eles morreram por causa dos conflitos ou porque não tinham acesso aos cuidados necessários", adiantou ainda a Cruz Vermelha.

Nesse sentido, e dada a violência recente do conflito e ao estado de emergência e urgência da situação humanitária na Síria, que já é considerada catastófrica, a Cruz Vermelha pediu uma pausa humanitária para poder fornecer mantimentos na zona de Alepo que está cercada desde abril.

Contudo, isso poderá não acontecer no imediato. Na quarta-feira, as forças do regime sírio, em parceria com a Rússia, conseguiram recuperar toda a parte velha de Alepo e controlam agora mais de 80% dessa área que está cercada há já nove meses. Aliás, diz-se mesmo que nunca estiveram tão perto de assumir o controlo total.

Perante este cenário, os rebeldes pediram, na quarta-feira, um cessar-fogo de cinco dias para evacuar os civis e os feridos, mas o exécito sírio diz que só aceitará isso se os rebeldes sairem de Alepo e como isso não foi mencionado por eles, então não há margem para aceitar qualquer cessar-fogo.

Acresce ainda que, na segunda-feira, a Rússia e a China vetaram uma resolução das Nações Unidas que pedia uma semana de cessar-fogo, porque acreditam que, das outras vezes que o fizeram, os rebeldes usaram esses períodos para reforçar. Ou seja, isso poderia comprometer os avanços feitos nas últimas duas semanas.

Contudo, a situação humanitária é grave. Só desde 15 de novembro, quando se intensificaram os combates para resgatar a parte velha de Alepo, pelo menos 384 civis, incluindo 45 crianças, foram mortos, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), citado pela Lusa. Outros 105 morreram nos bairros controlados pelo Governo, nos confrontos com os rebeldes.

No total, cerca de 300 pessoas foram mortas e milhões obrigadas a fugir desde o início da guerra na Síria, há quase seis anos.