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Internacional

Rússia anuncia suspensão dos bombardeamentos em Alepo

SANA/REUTERS

Suspensão das operações permitirá a retirada de oito mil civis da zona leste de Alepo, disse Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo

Helena Bento

Jornalista

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, anunciou esta quinta-feira a suspensão das operações do Exército sírio na zona leste de Alepo. O objetivo é permitir a retirada de oito mil civis da zona de combate.

Os EUA aplaudiram a decisão, que indica “que algo positivo pode estar a acontecer”, mas mantêm algumas reservas em relação ao desfecho da situação na cidade. “Temos de esperar para ver o que acontece”, disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, citado pela BBC. Essa tem sido, de resto, a postura de Washington - “ouvir cuidadosamente o que os russos têm para dizer”, mas “escrutinando sempre as suas ações”, acrescentou o porta-voz.

A grande ofensiva que o Exército sírio lançou há semanas na zona leste da cidade, até aí controlada pelos rebeldes da oposição, permitiu já ao regime de Bashar al-Assad recuperar 75% do território. Mas as consequências são, na opinião de muitos, desastrosas - 800 pessoas mortas e outras 3500 feridas, além das dezenas de milhares que fugiram, de acordo com Brita Haji Hassan, presidente do conselho local da cidade, que também esta quinta-feira apelou “a uma pausa nos bombardeamentos e à garantia de uma passagem segura para as 150 mil pessoas que estão ameaçadas pelo extermínio na cidade”.

Em declarações à imprensa em Moscovo, Serguei Lavrov anunciou também que diplomatas e militares russos e norte-americanos vão reunir-se no próximo sábado, em Genebra, para definir os detalhes da retirada dos grupos armados e a saída dos civis que desejam abandonar a cidade sitiada.

Lavrov e John Kerry, o seu homólogo dos Estados Unidos, estiveram reunidos na quarta-feira e esta quinta-feira de manhã em Hamburgo, onde participaram numa reunião ministerial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O ministro russo acusou Staffan de Mistura, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, de estar a “sabotar” o processo de paz na Síria e mostrou-se cauteloso quanto às possibilidades de um acordo com os EUA, uma vez que Kerry lhe apresentou na semana passada, em Roma, uma série de propostas que acabaria por retirar apenas dois dias depois.

As consultas EUA-Rússia deviam ter-se realizado na segunda-feira, mas Washington acabou por retirar as suas propostas depois de os grupos rebeldes terem recusado abandonar as suas posições em Alepo, refere a agência Lusa.

Ainda na segunda-feira à noite, a Rússia e a China vetaram uma resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para implementar um cessar-fogo de sete dias na cidade síria de Alepo para a “distribuição sem restrições” de ajuda humanitária urgente à população sitiada. O documento tinha sido apresentado pelo Egito, Nova Zelândia e Espanha com o apoio dos Estados Unidos.

Foi a sexta vez que a Rússia, aliada do Presidente Bashar al-Assad, bloqueou uma resolução do Conselho da ONU para a Síria desde o início da guerra civil em março de 2011. A China fê-lo pela quinta vez.