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Morreu John Glenn, “o mais velho ser humano a conseguir tocar nas estrelas”

ROBERTO SCHMIDT/GETTY IMAGES

Em fevereiro de 1962, John Glenn tornou-se o primeiro astronauta norte-americano a entrar em órbita, a bordo da pequena cápsula Friendship 7

Helena Bento

Jornalista

John Glenn, o primeiro astronauta norte-americano a fazer um voo orbital à volta da Terra, em 1962, morreu esta quinta-feira com 95 anos, informou a faculdade da Universidade Estatal de Ohio que tem o seu nome.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, John Kasich, governador do Ohio, estado-natal de Glenn, disse que o antigo astronauta “é e será sempre o grande herói da sua terra natal”. “Apesar de ter subido ao espaço e às alturas da Colina do Capitólio, o seu coração manteve sempre as suas raízes firmes em Ohio”, afirmou Kasich.

Barack Obama já reagiu à morte de Glenn. Num comunicado citado pela CNN, Obama disse a "nação perdeu um ícone” e que ele e Michelle Obama perderam “um amigo”. “John passou a sua vida a quebrar barreiras: defendeu a nossa liberdade enquanto piloto do Corpo de Fuzileiros, fez o primeiro voo transcontinental [em 1957] em tempo recorde, e aos 77 anos tornou-se o mais velho ser humano a conseguir tocar nas estrelas. Foi John quem inspirou as gerações de cientistas, engenheiros e astronautas que irão levar-nos a Marte e além Marte - não apenas para visitar, mas para ficar.”

“Quando John foi lançado de Cape Canaveral em 1962 elevou as esperanças de uma nação. Quando o seu veículo espacial Friendship 7 chegou à órbita terrestre algumas horas depois, o primeiro norte-americano a orbitar em torno da Terra lembrou-nos que, com coragem e espírito de descoberta, não existem limites para aquilo que conseguimos alcançar juntos”, disse ainda Obama.

Em fevereiro de 1962, John Glenn tornou-se o primeiro astronauta norte-americano a entrar em órbita, a bordo da pequena cápsula Friendship 7, e a quinta pessoa a ser enviada para o espaço, depois dos cosmonautas soviéticos Yuri Gagarine e Gherman Titov e de outros dois astronautas do projecto Mercúrio, Alan Shepard e Gus Grissom.

Em 1998, aos 77 anos, e já depois de uma carreira de mais de 20 anos enquanto senador dos EUA pelo Partido Democrata (entrou na política por sugestão de John F. Kennedy e chegou a candidatar-se à Presidência do país em 1984), John Glenn regressou ao espaço, em outubro de 1998, tornando-se o mais velho astronauta a fazê-lo.

Nascido em 1921 numa pequena cidade do Ohio, Cambridge, Glenn recordava uma infância idílica, marcada por um grande “patriotismo”. “O amor ao país era uma dádiva e a defesa dos seus ideais, uma obrigação. A oportunidade de participar nas suas missões e explorações era um desafio. Cumpria um dever sagrado, ao mesmo tempo que participava numa aventura muito alegre”, escreveu o astronauta em “A Memoir”, publicado em 2000.

Durante a adolescência, John Glenn tocou trumpete e cantou num coro de igreja. Para ganhar trocos, lavava carros e trabalhava como nadadar-salvador num campo durante o verão. Na escola secundária, foi aluno de quadro de honra, com jeito para o futebol, basquetebol e ténis.

Em 1939, inscreveu-se na faculdade, no Muskingum College, para estudar Química, mas além desse plano tinha outro - pilotar aviões. Depois de ganhar uma bolsa para pilotar aviões privados, juntou-se à Marinha norte-americana. Participou em dezenas de missões de combate durante a Segunda Guerra Mundial e durante a guerra da Coreia, tendo sido condecorado mais tarde por isso. Quando foi recrutado pela NASA, era já um piloto com uma vasta experiência de voos e missões.

John Glenn morreu num hospital de Columbus, onde estava internado há mais de uma semana, segundo o diretor de comunicação da John Glenn School of Public Affairs, Hank Wilson.